quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas)

Diretor: Mark Herman

Elenco: Vera Farmiga, David Thewlis, Rupert Friend, Richard Johnson, Sheila Hancock, Jim Norton, Asa Butterfield, David Heyman, Jack Scanlon

Gênero: Drama

Ano: 2008







O Menino do Pijama Listrado é uma adaptação do best seller editorial cujo drama se passa na década de 40 num cenário familiar afetado diretamente pelo nazismo.

Bruno, um garoto de oito anos, recebe a notícia que deverá deixar seus amigos e sua querida casa para acompanhar sua família ao interior, a promoção recente de seu pai é o motivo da mudança que culminará no fim da inocência do pequeno garoto.

Seu pai aceita gerenciar um campo de concentração e leva sua família para morar numa “fazenda” que com o decorrer do filme mais se assemelha a uma ante sala de um quartel militar do que uma residência propriamente dita.

Limites são estabelecidos, porém o solitário garoto consegue explorar o terreno da casa e em pouco tempo encontra uma cerca eletrificada que o mantém separado de pessoas vestidas com pijamas listrados (uniforme de prisioneiros). Dentre elas está um menino de mesma idade claramente judeu que é tratado tal qual um adulto no campo.

O romance adaptado é feito para emocionar, abusando da visão de mundo de duas crianças em pólos opostos e com visões absurdamente inocentes e pueris sobre os acontecimentos com que se deparam.

Por um lado, a fórmula tem um mérito, pois simplifica o racismo a ponto de torná-lo inexplicável e sem possibilidade de racionalização ou justificativas. No entanto, a ingenuidade exacerbada do menino alemão e seu novo amigo judeu são mais um artifício manipulador do que um elemento que emociona.

Produzido pela BBC inglesa e todo falado com um sotaque britânico, O Menino do Pijama Listrado não inova a ponto de se tornar uma nova referência no cinema de guerra, a adaptação, contudo, é bem realizada e pode agradar o espectador menos exigente.


Pontos Altos: Tentativa de nova abordagem

Pontos Baixos: Garotos irritantemente inocentes

A Onda (Die Welle)

Diretor: Dennis Gansel

Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul, Jacob Matschenz, Cristina do Rego

Gênero: Drama

Ano: 2008










A Onda é um pequeno grande filme que com a divulgação correta pode causar muito barulho. Baseado numa história real o drama ocorre numa escola onde um professor decide inovar seus métodos didáticos para ensinar sua turma o funcionamento de um regime fascista.

O fato é que a construção coletiva do conhecimento entre os pupilos e o mestre cresce a ponto de serem criadas organizações semelhantes ao regime, como uniformes, ideais, saudações e formas de tratamento. Os jovens alunos se sentem motivados com o sentimento de unidade e com a liderança firme imposta por alguns dos próprios alunos e do professor que se sente querido e respeitado por uma massa crescente de jovens.

A questão colocada inicialmente é se a Alemanha poderia usufruir positivamente de um regime autocrático e como isso se daria na prática.

A resposta é dada pelo filme e obviamente as coisas saem do controle.

Dennis Gansel estabelece uma narrativa semelhante a um trabalho acadêmico e leva a cabo a conclusão num clímax que nos deixa com um gosto amargo na boca.

A facilidade da manipulação das massas que podemos ver em ditaduras e mais contemporaneamente em regimes populistas é algo extremamente perigoso e volátil. É por esse motivo que A Onda se mostra interessante e também um objeto de discussão política, sociológica e psicológica.

Um filme que levanta preocupações sérias e serve como alerta. A história pode sempre ser repetida.


Pontos Altos: Roteiro, atmosfera de suspense, clímax aguardado

Pontos Baixos: Aparentemente quase todo alemão tem tendência ao fascismo?

Cleópatra

Diretor: Julio Bressane

Elenco: Alessandra Negrini, Miguel Falabella, Bruno Garcia, Heitor Martinez, Lúcio Mauro, Taumaturgo Ferreira

Gênero: Drama

Ano: 2007








Vaiado em sua primeira exibição no Festival de Cinema de Brasília, Cleópatra de Júlio Bressane investe na vida privada da rainha filha de Ptolomeu, uma notável mulher erudita que representava em sua época a superioridade cultural do Egito.

O cineasta de forma audaciosa retrata o contexto histórico da época abusando dos diálogos longos e complexos e dos sons representando situações não mostradas que refletem de alguma forma na personagem título, nos seus amores, amantes e inimigos.

O baixo orçamento é compensado pela excelente iluminação e fotografia, a trajetória da rainha poliglota apesar de visualmente onírica e lisérgica em vários momentos é fundamentalmente contada através de difíceis, porém necessários diálogos e monólogos que devem cansar os espectadores do cinema convencional e os que não apreciam interpretações teatrais, exageradas e afetadas.

O cinema de Bressane é ousado e reside aí sua grande qualidade, afinal retratar tal tema utilizando língua e recursos nacionais já é motivo suficiente pra causar discussões e controvérsias. Bressane consegue contar uma história de forma única e autoral.

Uma das consequências de sua escolha é a discussão se o cinema brasileiro subsidiado de verbas públicas deve retratar apenas temas nacionais.

Alessandra Negrini se aprofunda na pele de Cleópatra num desempenho que nos faz esquecer todo e qualquer papel interpretado nas novelas globais, a liberdade e possibilidade proporcionada por Bressane são bem aproveitas pela atriz que infelizmente pesa a mão no sotaque irritante e artificial criado por ela em algum delírio inconseqüente de suposto talento criativo.

Cleópatra tem vários problemas como a escolha duvidosa do próprio elenco, mas são diversas também suas qualidades como as cenas de sexo, a direção de arte e a câmera diferenciada.

Cansativo, provocativo e visualmente belíssimo o filme de Bressane é tão controverso quanto o próprio tema. Para os destemidos, vale conferir.


Pontos Altos: Visual extraordinário das cenas em estúdio, ousadia, trilha sonora

Pontos Baixos: Sotaque da Negrini, sotaque da Negrini, sotaque da Negrini, Caco Antíbes Bad Mood Reloaded