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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Avatar

Diretor: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel David Moore, CCH Pounder, Peter Mensah
Gênero: Fantasia/Aventura
Ano: 2009



James Cameron guardava o projeto Avatar em sua gaveta há um bom tempo, e demorou muito para que acreditassem em seu potencial lucrativo, além do óbvio alto investimento necessário para execução de seu capricho mais dispendioso.

A história de Avatar é um tanto quanto simples, básica, fraca, óbvia com todos os clichês possíveis e imagináveis, inclusive a premissa de que é necessário viajar muito para conseguir fontes alternativas de energia é algo que vai contra todas as pesquisas atuais preocupadas com este tema.

Enfim, o governo americano precisa no século 22 explorar um local habitado por humanóides azuis os Na'vi para obter uma maravilhosa nova fonte de energia, a atmosfera tóxica do local os impede de ocupar tudo sem máscaras então a solução é a criação em laboratório de seres híbridos das duas raças para explorar Pandora sem alarde, os tais avatares podem ser controlados por humanos e o resto já é possível de se imaginar.

Matrix/Senhor dos Anéis encontra Pocahontas define muito bem o resumo da história de amor. Os Smurfs são o arremate e dão o tom da embalagem.

Sem perder tempo com mais detalhes da sinopse que os interessados no filme já estão carecas de saber é interessante nos deter no que Cameron propunha ao criar o universo azul dos Avatar.

A campanha de marketing dizia que haveria um mundo antes e outro pós Avatar, a utilização sem precedentes do 3D e os avanços evidentes das imagens geradas por computadores e suas expressões humanas redefiniriam o futuro do cinema e trariam nova esperança para a indústria que range os dentes para pirataria e para o mercado perdido para os DVDs.

Sem dúvidas o 3D já avançou muito, o que não é surpresa, afinal sua trajetória não é recente apesar de ter sido esquecido por um grande período, ele já foi a “resposta ao VHS” há algumas décadas e nesta época não fascinou tanto os espectadores.

Os óculos mudaram, os efeitos especiais evoluíram, mas o 3D ainda não avançou o suficiente para declarar vitória na guerra contra as outras opções existentes. A profundidade das imagens ainda não permite a vivacidade das cores das animações contemporâneas, o que parece um retrocesso para os mais criteriosos.

O fato é que Cameron se não agradou totalmente no 3D teve retorno no resultado belíssimo na criação de um complexo universo alternativo com fauna/flora e muito misticismo.

Em tempos de remakes, adaptações de desenhos animados, brinquedos, livros, jogos de videogame tomam conta das salas de cinema, a ideia de Cameron parece um refresco criativo e tem tudo pra arrebatar multidões e nos introduzir em novos universos.


Pontos Altos: CGI de qualidade, Sam Worthington ocupando o espaço que lhe é devido em Hollywood

Pontos Baixos: Falta cor no 3D, romance pode ser muito melodramático

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Órfã (The Orphan)

Diretor: Jaume Collet-Serra

Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman, CCH Pounder

Gênero: Terror

Ano: 2009








Muito foi dito sobre A Órfã, seria o filme um manifesto anti-adoção, um abuso de atores mirins em situações pouco ortodoxas, um exagero absurdo, o fato é que crianças más podem ser muito mais diabólicas que adultos, a inocência interrompida é o choque que segura as mãos nas poltronas e causa ansiedade no maior dos marmanjos.

Há sim algo errado com Esther, a garotinha de origem e sotaque russo que inclusive alerta seus pais adotivos que não é como as outras crianças, seu brilhantismo e inteligência deveriam ser suficientes para que a desconfiança se instalasse já na primeira impressão, porém o rico casal se encanta com a unicidade da menina e a acolhe em sua bela casa (obviamente afastada da cidade).

A família que bondosamente recebe a famigerada órfã também não é muito comum, Kate recentemente perdeu um bebê e é uma alcoolista em processo de recuperação, vício esse que já colocou sua família e casamento em perigo, seu marido John não tem dos melhores históricos de fidelidade, a filha menor é deficiente auditiva e seu irmão um pré-adolescente que desde o início não simpatiza com a pequena russa.

Qualquer psicólogo formado na mais precária das universidades sabe que introduzir um novo elemento num equilíbrio instável de uma família como esta pode ser o suficiente para iniciar uma reação adversa muito perigosa.

A angelical Esther com seus vestidos antiquados, talentos criativos e língua afiada se revela inicialmente para nós espectadores, a sociopata sorrateiramente toma conta da casa, seu brilhantismo diabólico inicialmente é revelado para seus irmãos e depois para sua mãe que ao se dar conta tenta alertar o marido que obviamente não a escuta e não permite que ela se livre da surpresa indesejada.

Kate e você espectador não conseguem compreender os motivos do marido não confiar em suas palavras, é neste momento que o terror se instala, a mãe precisa defender sua família sendo desacreditada por quem a mais deveria apoiar e sua inimiga é mais perigosa que muitos dos vilões de filmes adultos.

Isabelle Fuhrman aos seus 10 anos tem um talento nato espetacular, seu olhar é suficiente para arrepiar os pelos de nossos braços e as linhas que interpreta são amplificadas por seu semblante infantil/diabólico.

A Órfã tem muito em comum com outros filmes de terror, a heroína que solitária tenta salvar a todos algo que gera identificação imediata, afinal você também sabe que a garotinha merece um linchamento público, e desejar isso para uma criança representa o triunfo do diretor Jaume Collet-Serra.

A direção de Jaume não é competente apenas em estabelecer o terror, a filmagem inteira não é convencional e isso moderniza e muito a experiência, a câmera subjetiva é responsável por nos aprofundar na pele de Kate e sentir seus ímpetos e aflições.

O trio vilã assustadora, roteiro politicamente incorreto e reviravolta alucinante deve agradar em cheio aos fãs do gênero.


Pontos Altos: Esther é deliciosamente má, muita maldade junta, Esther não poupa ninguém

Pontos Baixos: John é um banana