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sexta-feira, 12 de março de 2010

À Deriva

Diretor: Heitor Dhalia
Elenco: Laura Neiva, Vincent Cassel, Débora Bloch, Camilla Belle, Cauã Reymond, Gregório Duvivier
Gênero: Drama
Ano: 2009





É difícil escapar de uma definição sobre à Deriva que não apele para o título do longa metragem que parece ter aberto os horizontes da carreira cinematográfica de Heitor Dhalia para o mercado internacional, com sua primeira exibição pública em Cannes e amparado pela presença do francês Vincent Cassel, o diretor brasileiro demonstra uma segurança e uma universalidade em sua linguagem.
A narrativa de À Deriva é semelhante a de muitos filmes de status “cult” onde um personagem atravessa de forma quase dolorosa a passagem para a vida adulta.
Filipa é interpretada por Laura Neiva, uma versão mirim da atriz/modelo/apresentadora Fernanda Lima, atriz estreante que foi descoberta através de seu perfil na rede de relacionamentos Orkut, um claro sinal da importância das redes sociais para os mais diversos planos da sociedade moderna.
A bela garota de 15 anos em uma viagem de férias com seus irmãos e pais descobre uma relação extra conjugal de seu pai ao mesmo tempo em que percebe que não é mais uma menina ao atrair o desejo dos garotos.
De uma visão infantil idealizada dos pais e do jeito moleque de se relacionar Filipa ressente a mudança que não lhe foi apresentada com a devida formalidade, a maturidade chega à duras penas e é irrefreável.
Débora Bloch como uma amorosa mãe e descontente esposa utiliza sua prévia experiência de relacionamento afetivo com um estrangeiro em sua vida pessoal na interpretação, o francês Vincent Cassel também não apresenta muitas dificuldades no uso da língua portuguesa, graças é claro as repetidas visitas que tem feito com sua verdadeira família ao nosso país.
A fotografia generosa da paisagem de Búzios embeleza sobremaneira a experiência cinematográfica de À Deriva, o cenário, no entanto, não é suficiente para sobrepor a inexperiência de Laura Neiva e a falta de talento gritante de Camilla Belle.
À Deriva é sensível e agradável, mas não arrebata e apaixona.

Pontos Altos
: Fotografia, cinema brasileiro nadando em mar aberto
Pontos Baixos: Beleza não põe mesa

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Falsa Loura

Diretor: Carlos Reichenbach

Elenco: Rosanne Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar, Djin Sganzerla, Suzana Alves, Léo Áquilla

Gênero: Drama

Ano: 2007






Silmara entre suas amigas e colegas operárias de uma fábrica paulistana é a que possui mais personalidade, beleza e voz ativa. A liderança natural se segue em casa onde sustenta o pai, um ex-presidiário que se esconde para não mostrar ao mundo sua face parcialmente mutilada por um incêndio criminoso que causou no passado.

A jovem não reclama de sua vida, ao contrário, orgulha-se de suas conquistas e poderia ser um retrato de muitas brasileiras trabalhadoras.

Com uma beleza acima da média a loira consegue realizar as fantasias que suas amigas não são capazes, mas nada é o que parece e o sonho se torna pior que a realidade dura em que vive. O imaginário criado é tão poderoso que a jovem sabe que a realidade não pode ser ouvida.

Falsa Loura é o reverso do conto da gata borralheira, não há quem possa salvar a pátria nos momentos difíceis ou tornar a vida mágica e encantada. A duras penas a protagonista aprende que não existem príncipes encantados e dinheiro fácil.

Com leves toques teatrais e muita nudez alguns momentos de Falsa Loura relembram os velhos tempos da pornochanchada brasileira, contudo o roteiro não se limita e nos entrega um drama bem encaminhado protagonizado por uma atriz competente da nova geração.

O elenco não é o ponto forte de Falsa Loura, talvez isso seja proposital e o universo de Silmara deva parecer falso e irreal tal qual a coloração de seu cabelo e a supervalorização das qualidades pessoais de seus ídolos musicais.

Reichenback esmiúça o escapismo das jovens trabalhadoras até o seu catártico sofrimento representado pela vergonha e humilhação em se abraçar a um sonho falso.


Pontos Altos: Rosane Mulholland segurando a onda do filme todo, subúrbio não é favela então é novidade!

Pontos Baixos: Cenas de nudez desnecessárias, trechos de obras lidos no meio do filme que são teatrais demais pro cinema