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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amantes (Two Lovers)

Diretor: James Gray

Elenco: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Isabella Rossellini, Elias Koteas, Moni Moshonov

Gênero: Drama

Ano: 2009







Apesar da sinopse de Amantes não revelar o que lhe diferencia de um drama sobre um triângulo amoroso convencional, o filme de James Gray possui certa qualidade visível aos olhos que é extrair do universo real um romance especial sem o uso de momentos surpreendentes e grandes artifícios.

Leonard não é mais um jovem quando abandonado pela esposa necessita retornar a casa dos seus pais, dormindo na sua cama de solteiro e trabalhando na lavanderia de seu pai, sua vida parece ter retroagido em décadas, excêntrico por natureza e carismático em seu estranho modo de ser o rapaz tenta o suicídio algumas vezes até que conhece uma boa moça filha de amigos de seus pais e uma vizinha problemática e encantadora.

Sandra o enxerga e o ama e gostaria de cuidar dele, Michelle o enxerga inicialmente como um confidente, encantado pelo mistério da loira que já está envolvida com um homem casado, Leonard se encontra perdido pela paixão arrebatadora e o futuro garantido e fácil demais.

Muito do encanto de Amantes vem da união entre as famílias e seus costumes judaicos, apesar da religião não ser muito comum no Brasil a dinâmica das relações familiares pouco muda, os pais veem seus filhos adultos como crianças que não conseguem amarrar os próprios sapatos sem sua supervisão cuidadosa e os filhos amam seus pais e por eles são defendidos e compreendidos.

O amor em Amantes extrapola as relações românticas, são dos pais as declarações de amor – por vezes silenciosas – que trazem mais impactos, o sentimento é no filme dotado de um respeito profundo e a mãe de Leonard e o pai de Michelle desejam apenas a felicidade de seus filhos sem em nenhum momento questionar suas escolhas.

Amantes tem um desfecho esperado, mas seu desenvolvimento é natural e interessante, filmado de forma anti-hollywoodiana sua estética é quase européia e seus três personagens principais parecem adolescentes perdidos em um duro processo de amadurecimento.

Simples e belo. Vale a pena.


Pontos Altos: Escolha do elenco e desempenho dos atores acima da média, a pista de dança, as conversas pela janela, dificuldade em aceitar as escolhas impostas

Pontos Baixos: Rosselini quase virou avó?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)

Diretor: David Fincher

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Elle Fanning, Elias Koteas, Jason Flemyng, Taraji P. Henson, Josh Stewart

Gênero: Drama

Ano: 2008








Adaptado de um conto de F. Scott Fitzgerald, o roteiro de Eric Roth transforma a pequena história cômica em um drama sobre o amor e seus limites.

Benjamin nasce como um bebê fisicamente velho e rejuvenesce com o passar dos anos, seu grande desafio é viver como um jovem apesar dos problemas de estar preso num corpo decadente, tal processo avança inversamente à ordem natural e se reverte com os anos.

O esperado romance se inicia com seu encontro com a pequena Daisy, por quem se apaixona, mas precisa manter certo distanciamento pela aparente absurda diferença de idade.

Inexplicavelmente a menina graciosamente interpretada por Elle Fanning se apega ao velho Benjamin e pede a ele que mantenha contato constante. Um comportamento precoce demais para uma menina que naturalmente deveria ter outros interesses mais adequados a sua idade.

Encontros e desencontros se repetem entre o peculiar casal e o filme acompanha toda essa evolução.

O roteiro fantasioso em essência é tecnicamente perfeito e utiliza recursos de maquiagem e efeitos especiais de forma extremamente adequada, ao mesmo tempo contextualiza o drama com momentos históricos buscando familiarizar o público, uma missão praticamente impossível, afinal a tecnologia atual ainda parece mais com animação que com realidade.

O Curioso Caso de Benjamin Button tem uma narrativa muito agradável na qual os 160 minutos do filme não parecem mais que 80, a leveza que permite essa sensação acaba por prejudicar a densidade dramática esperada para o protagonista que parece resignado demais com sua condição.

É um desafio notável transformar tal conto em um filme com atores reais. Igualmente difícil é se absorver pela história e não ficar minuto a minuto tentando descobrir que tipo de artifício é utilizado para demonstrar a mudança de idade dos personagens.

Benjamin vive de forma mais estranha que sua própria peculiaridade, sem grandes conflitos e crises o personagem é deslumbrado e carece de humanidade, perdemos uma grande oportunidade de assistir um drama de peso.

Certas histórias deveriam permanecer nos livros e viver apenas em nossa imaginação.


Pontos Altos: Maquiagem excelente, originalidade do tema

Pontos Baixos: Computação gráfica ainda não atingiu a perfeição e causa estranhamento, visual Final Fantasy dos efeitos, falta de profundidade, sem linearidade: Benjamin nasce bebê velho e morre bebê novo