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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons)

Diretor: Stephen Frears

Elenco: Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Swoosie Kurtz, Keanu Reeves, Mildred Natwick, Uma Thurman

Gênero: Drama

Ano: 1988







Em Ligações Perigosas, Stephen Frears faz uma adaptação bem sucedida de um romance de época numa França onde sexo, vingança, cobiça, traição e falsidade moviam as relações e prazeres pessoais.

Glenn Close é uma das poucas atrizes que interpreta mais pelas expressões corporais do que pela sua voz propriamente dita, isso torna suas palavras muito mais impactantes, tal qual um vulcão inativo que desperta com força total em uma velocidade absurda e imprevista atingindo uma grande quantidade de pessoas.

John Malkovich não é dos mais belos atores, sua escolha para interpretar um conhecido sedutor libertino parece improvável a primeira vista, porém o objetivo é demonstrar o quão pouco ligada, está a beleza a arte pouco virtuosa da sedução como um inescrupuloso joguete.

Close interpreta a Marquesa de Mertouil, uma dama da sociedade que motivada por uma desavença com um nobre de sua época acerta com o Visconde de Valmont uma vingança que se torna um embate vicioso entre os ex-amantes.

Ligações Perigosas é uma guerra quase silenciosa entre dois grandes nomes da sujeira da corte francesa, para eles a queda de alguns peões no caminho é esperada e desejada.

É com o desafio representado pela entrada na equação da imaculada Madame Tourvel (Pfeiffer) que entra em combustão o jogo de sedução e poder.

Stephen Frears nos torna cúmplices do crime nesse surpreendente drama que não envelheceu uma semana desde seu lançamento.


Pontos Altos: A marquesa chama o visconde para guerra, olhares e intrigas, maldade da boa, Glenn Close sempre

Pontos Baixos: Keanu Reeves e Uma Thurman parecem produtos da Malhação

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Troca (Changelling)

Diretor: Clint Eastwood

Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Michael Kelly, Jeffrey Donovan, Jason Butler Harner, Devon Conti, Amy Ryan

Gênero: Drama

Ano: 2008








É sabido que Clint Eastwood na direção se dedica a dramas pesados, A Troca é certamente deste gênero e não há economia nem sentimentos contidos.

O filme relata um drama real ocorrido na Los Angeles da década de 20. E se inicia quando a mãe solteira Cristine recebe num sábado uma chamada de última hora para trabalhar e ao retornar não encontra seu filho em sua casa.

Não bastasse o desaparecimento tempos depois a polícia a convoca pra reencontrar a criança que havia sido localizada, infelizmente não se trata de seu filho Walter e apesar de seus clamores a educada senhora é ignorada e perseguida pela corrupta polícia que não quer ver seu trabalho desacreditado mesmo que à custa do seu incomensurável sofrimento.

Cristine não desiste da busca de seu filho e enquanto isso um garoto que não possui semelhança alguma com este personifica a farsa que lhe é imposta garganta abaixo.

O distrito policial da cidade toma todas as medidas para desqualificar a mãe e impedir que suas alegações cheguem ao público, com a ajuda de um pastor e seu programa de rádio a epopéia de Cristina é divulgada com todos os detalhes.

Repleta de pequenas e grandes tragédias a vida da personagem é encenada por Angelina Jolie de forma impecável e avassaladora especialmente para quem possui filhos e se imagina na infeliz situação.

A fotografia, iluminação e reconstituição de Los Angeles são feitas com muita fidelidade o que garante grande credibilidade ao drama e denota um primoroso e cuidadoso trabalho técnico.

Há, no entanto, um pequeno problema de direção no ultimo terço do filme que o torna um pouco maçante e cansativo. Assim há uma perda no peso dramático da história original que pela suas características ainda mantém um grande peso.

Uma denúncia a corrupção policial que mesmo tardia é trazida as telas com bastante ênfase e empenho.



Pontos Altos: Angelina Jolie detonando, fotografia, iluminação, reconstituição perfeita

Pontos Baixos: Longa duração, falta de ritmo, Clint pegue mais leve na próxima só pra variar

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Queime Depois de Ler (Burn After Reading)

Diretor: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Brad Pitt, George Clooney, Tilda Swinton, John Malkovich, Frances McDormand, Richard Jenkins, Matt Walton, J.K. Simmons
Gênero: 2008
Ano: Comédia







Altas expectativas sempre acompanham os Irmãos Coen, não foi diferente com este longa que talvez para apagar (ou descontrair?) qualquer vestígio de comparações é uma comédia. E a dupla segue firme em utilizar o recurso da violência como combustível para o riso, nem que ele seja um reflexo nervoso a uma situação surpreendente o que combina muito bem com o clima de paranóia e suspense de tramas que envolvem segredos de Estado.
O elenco estrelado é o grande chamariz de Queime Depois de Ler, uma sátira não muito bem humorada, mas extremamente inteligente aos filmes de espionagem e serviços de inteligência tão queridos pelo público em geral e especialmente pelo estadunidense.
É difícil encontrar algum tipo de racionalidade no modo de viver e pensar de seus personagens, conseqüência deste estilo inverossímil e absurdo de comportamento são as situações cômicas que se revelam mais como uma (boa) crítica de costumes contemporâneos e ideais patrióticos que um simples apanhado de momentos engraçados, não aguarde gargalhadas.
Até mesmo nos bastidores da CIA há uma atmosfera de ausência de sentido, estupidez exagerada e simplicidade que fornece alguns dos melhores momentos do filme.
A sátira dos Coen, no entanto, peca por não desenvolver até um ponto aceitável as relações e situações entre os personagens secundários que ficam evidentemente incompletas.
Outro problema que compromete a comicidade é a interpretação de George Clooney que mais se assemelha a um exercício teatral de clown que uma atuação cinematográfica razoável. Apesar disso, cabe ressaltar que as atuações de Brad Pitt, John Malkovich e Frances McDormand são extraordinárias e imperdíveis, mas nem por isso engraçadas.

Pontos Altos: Maior parte das atuações, crítica à paranóia e a vida moderna
Pontos Baixos: George Clooney, poucas situações de fato engraçadas, na minha época comédia era pra rir