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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

À Procura de Eric (Looking for Eric)

Diretor: Ken Loach

Elenco: Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop, Gerard Kearns, John Henshaw

Gênero: Drama/Comédia

Ano: 2009







À Procura de Eric é de longe o mais otimista dos filmes de Loach, um diretor que percorre o subúrbio e a periferia em grande parte dos seus longa metragens. Em parte há uma repetição de cenário, porém ao contrário do esperado não existe um encaminhamento irrefreável para o desastre e tragédia.

Eric Cantona foi um dos grandes jogadores do Manchester United na década de 90, apesar de ter cometido uma falta que o afastou dos campos por nove meses a sua influência é permanente até os dias de hoje, seu talento como jogador manteve o seu time na liderança por muito tempo o que em certo ponto contribuiu para que fosse conhecido como Rei Eric.

Do outro lado deste estereótipo de “vencedor”, um carteiro de certa idade chamado Eric vive com dois enteados após ter sido abandonado por sua segunda esposa, os garotos não tem um exemplo familiar dos mais ideais e isso os aprisiona em rotinas que possivelmente afetarão seu futuro como adultos.

O carteiro Eric apoiado por seus amigos tenta reverter a sua problemática e estagnada situação através de um jogo (fruto da literatura de auto ajuda) em que se imaginam sendo analisados por pessoas vivas ou mortas que são fonte de admiração.

A partir de então, os dois Erics se encontram e se estabelece uma relação, o jogador se torna um técnico e terapeuta, muito necessário para um Eric perdido, porém perseverante em encontrar uma mudança significativa, que obviamente parte da cabeça do próprio.

Ken Loach expõe as mazelas da periferia e as resolve através de algumas noções de auto ajuda. A primeira vista simples e medíocre, Loach encena uma transformação de forma bem humorada e delicada que consegue nos fazer sorrir, um “feel good movie” que prova que Loach não é um pessimista irreversível.


Pontos Altos: A invasão dos Eric, tudo dando certo

Pontos Baixos: Maquiagem dos dentes de Eric mal feita

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sweet Sixteen

Diretor: Ken Loach

Elenco: Martin Compston, Annmarie Fulton, William Ruane, Michelle Abercromby, Michelle Coulter, Gary McCormack, Tommy McKee, Calum McAlees

Gênero: Drama

Ano: 2003






Liam está prestes a completar 16 anos e ansiosamente aguarda o fim da pena que sua mãe cumpre na cadeia por envolvimento com o tráfico, sem um pai sua família se resume a uma mãe criminosa com um namorado traficante e uma irmã mãe adolescente.

Liam poderia viver numa periferia brasileira qualquer, o que demonstra que a globalização não se resume apenas as tecnologias e hábitos de consumo. Como todo jovem Liam gostaria de um futuro melhor e faz tudo ao seu alcance para conseguir ao menos unir sua família num lar.

Com um amigo o jovem vende cigarros o que não lhe traz muito dinheiro, o caminho mais rápido e natural o leva ao tráfico de drogas, atividade esta que já não teve muitos bons resultados em sua família, mas a falta de opções não permite outro tipo de escolha além de não se tornar usuário e apenas vender os produtos.

O grande sonho de Liam é conseguir dinheiro suficiente para comprar um trailer para morar com toda sua família, a droga é o meio para alcançar esse objetivo, mas como é de se esperar num filme de Ken Loach não há um final feliz e os esforços do jovem herói não são suficientes para superar as adversidades e suas escolhas equivocadas.

Sweet Sixteen se aprofunda numa tônica realista e pessimista, Loach encena a crítica social da periferia da Escócia que desmistifica o poder das boas intenções de um indivíduo, o meio social limita e é co-responsável pela infeliz repetição infinita de padrões.

Nada é tão ruim que não possa ser piorado.


Pontos Altos: Atores não profissionais, a verdade dói

Pontos Baixos: Realismo demais machuca