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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os Idiotas (Idioterne)

Diretor: Lars Von Trier

Elenco: Bodil Jorgensen, Jens Albinus, Anne Louise Hassing

Gênero: Drama

Ano: 2000








Parte do Movimento Dogma 95, Os Idiotas é uma suposta provocação a uma classe média que mantem escondidos seus preconceitos sociais.

Em um bairro residencial dinamarquês um grupo de adultos vive precariamente sem mobílias e de tempos em tempos invadem restaurantes e outros ambientes fazendo se passar por deficientes mentais, uma tentativa de trazer um incômodo a uma sociedade falsamente civilizada, além disso, sua encenação nem sempre pública busca um encontro ao “idiota interior” de cada um e a uma sensação de felicidade proporcionada pela liberação das amarras do esperado bom comportamento social.

A tentativa de Lars Von Trier representa uma inovação na forma de filmar, o conteúdo, no entanto é mais uma detestável provocação ligeiramente preconceituosa que uma ousada crítica a sociedade burguesa.

Talvez falte ao filme de Trier uma crítica mais explícita para que sua tese fosse bem fundamentada. Já o sexo encenado do filme não sofre o mesmo problema e é totalmente explícita, a rápida orgia deve permanecer nas nossas memórias.

Lars Von Trier é um cineasta comprovadamente competente, nem tudo que faz acerta em cheio seus objetivos, felizmente seu currículo é muito extenso e possui outros excelentes destaques.


Pontos Altos: Tensão no restaurante com os motoqueiros tatuados

Pontos Baixos: Idiota demais

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Anticristo (Antichrist)

Diretor: Lars Von Trier

Elenco: Charlotte Gainsbourg, Willem Defoe

Gênero: Drama/Horror

Ano: 2009








Em recentes entrevistas Lars Von Trier revelou que uma depressão profunda entre outras coisas quase o levou a abandonar sua condição de cineasta, este filme segundo ele seria parte do seu processo de recuperação e retomada. Sua finalização já lhe seria um triunfo suficiente pouco importando as críticas ou opiniões alheias.

Anticristo é um drama de horror extremamente exagerado em suas qualidades e falhas, sua trilha e estética não possuem muitos paralelos no cinema, a cena inicial que revela a morte acidental do filho de um casal no momento em que praticam sexo é marcante e bela, já o luto decorrente da tragédia especialmente da mãe da criança é tão abstrato e intenso que beira a artificialidade.

Preocupado com o estado de sua esposa, uma escritora, o marido decide aplicar nela seu ofício de psicanalista além de sugerir uma viagem para a sua afastada cabana na floresta, a proximidade para ele ajudaria o objetivo processar a perda.

A partir desse momento é impossível compreender as alegorias e simbolismos utilizados por Trier, possivelmente nem o próprio diretor teve a percepção exata do que estava fazendo, sua fábula de terror não representa mais que uma catarse visual da confusão mental em que se encontrava e do que ele acredita ser o sentimento avassalador da perda de um filho misturado a algumas referências bíblicas e imagens da natureza real e cruel.

O processo doloroso de cura de Trier nos entrega a uma jornada desconexa de poucas respostas, a solução de seu drama pessoal nos diz muito pouco e o resultado é questionável por pretender transmitir em imagens algo tão pessoal como uma melancolia de origem inconsciente.

Trier alcançou um ponto máximo em algumas imagens, porém já teve melhores momentos e o sexo explícito misturado ao horror já não é mais novidade.


Pontos Altos: Primeira cena (pelo menos ela vale à pena conferir), beleza nas imagens e não nas pessoas

Pontos Baixos: Divisão em capítulos já não é mais novidade, mutilações aflitivas