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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Garota Infernal (Jennifer's Body)

Diretor: Karyn Kusama

Elenco: Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, J.K. Simmons

Gênero: Terror/Comédia

Ano: 2009







Diablo Cody surgiu publicamente no Oscar 2008, Juno, seu roteiro de estreia mudava a perspectiva sobre a gravidez na adolescência ao enquadrar um viés menos trágico e dramático neste problema que aflige muitas garotas por todo mundo, o retrato feminista indie/pop alçou a roteirista ao estrelato e lhe possibilitou a criação de sua própria série de televisão, uma parceria em gestação com Spielberg e finalmente o lançamento de seu segundo filme Garota Infernal.

Se Juno foi quase uma unanimidade o mesmo dificilmente pode ser dito sobre este último, a começar pela escolha da protagonista que não possui o mesmo talento ou carisma de Ellen Page, Megan Fox amplia nas telas o estereótipo que lhe tornou famosa em Transformers, suas caras, decotes e bocas são o seu grande e único atrativo, será?

A sinopse de Garota Infernal é simples, Jennifer e Needy são amigas de infância e apesar disso muito diferentes, a primeira é a garota fatal, desagradável com todos e líder de torcida, a segunda tem um visual pouco atrativo, um comportamento responsável e comum, a tradução literal de seu nome inclusive é “carente” e de forma bem mais pejorativa que em nossa língua.

Jennifer se torna o pior pesadelo de sua amiga e de alguns rapazes quando submetida a um ritual satânico ressuscita com um demônio dentro de seu corpo cujo comportamento se assemelha a um vampiro e na prática funciona como uma fera canibal.

A femme fatale subitamente seduz os tipos menos prováveis da escola para lanchá-los (metáfora sexual e óbvia), procedimento que sua melhor amiga logo percebe e inicia uma guerra entre a piranha e a certinha.

Diablo Cody pretendia criar uma alegoria sobre a chegada feminina à maturidade utilizando o terror, sangue e comédia como embalagem, algo que a maioria dos adolescentes adora assistir. De fato temos muito mais exemplos no cinema do outro lado da moeda, no entanto, a execução e o desenvolvimento do roteiro são extremamente deficientes.

Para começar, Karyn Kusama não consegue estabelecer o esperado clímax e anti-clímax que são aguardados no gênero, seus efeitos especiais são quase amadores e a relação entre as duas personagens principais demora a se tornar minimamente emocionante.

É terror sim, porém ainda falta verdade nos conflitos, como pode a jovem mais popular ser inversamente confiante e precisar tanto de uma amiga considerada tão patética? E ainda, porque um tratado sobre o crescimento feminino mais parece uma representação da dualidade sexual feminina?

Para Diablo Cody, Jennifer funciona como um ícone da transformação da adolescente em mulher, algo assustador, misterioso, poderoso e que deve intimidar até ser superado. Uma interpretação dessas pode até causar certo interesse, não se enganem.


Pontos Altos: Algumas piadinhas sobre a cultura pop, Cenas nos créditos finais

Pontos Baixos: Roteiro ruim, direção de elenco capenga, efeitos especiais assustadoramente terríveis

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um Louco Apaixonado (How to Lose Friends & Alienate People)

Diretor: Robert Weide

Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges

Gênero: Comédia

Ano: 2008








Um Louco Apaixonado tem roteiro baseado no livro de Toby Young, um jornalista que se dedicava ao controverso jornalismo de sátira, categoria que temos hoje em dia no Brasil com o Pânico e o CQC. Achincalhar celebridades é a onda da vez.

Teoricamente o filme se pretende mais profundo na crítica ao encenar como funciona o jogo de favores entre o jornalismo sobre entretenimento e a produção final do mesmo. Sidney White interpretado por Simon Pegg é um profissional da sátira que é convidado surpreendentemente a trabalhar num dos veículos que criticava em sua amadora e ácida revista.

Sidney aceita, mas internamente em conflito acaba por se comportar de forma absurda e inadequada em grande parte do tempo. Depois “entra no esquema” e desta forma poder fazer parte do mundo das celebridades que lhe causa simultaneamente asco e fascínio.

O filme de Robert Weide conta com a presença de Jeff Bridges e Gillian Anderson que ao entrarem em cena permitem nos fazer refletir sobre como e de que forma as pessoas se tornam notícia, infelizmente a direção de atuação do protagonista não tem a mesma sorte e o que temos é um homem de meia idade, perdido e patético.

A idéia central do filme é extremamente relevante e interessante, mas o tom encontrado para a abordagem é exagerado e a comédia se perde entre um romance adocicado aqui e uma piada previsível ali.


Pontos Altos: Gillian Anderson fabulosa, Jeff Bridges

Pontos Baixos: Tom cômico acima do necessário