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terça-feira, 2 de março de 2010

Guerra ao Terror (The Hurt Locker)

Diretor: Kathryn Bigelow
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Ralph Fiennes, Guy Pearce
Gênero: Drama/Guerra
Ano: 2009





Filmes de guerra podem ser repetitivos, cansativos e sem cérebro. Nada disso pode ser dito de Guerra ao Terror, um retrato da ocupação americana no Iraque que nasce clássico e apresenta uma faceta diferenciada do algumas vezes fascinante campo de batalha.
Através de Guerra ao Terror acompanhamos o cotidiano de um esquadrão anti bombas pelas ruas de Bagdá sentindo através dos soldados a tensão, adrenalina e exaustão frutos das constantes situações de risco de morte que são sujeitos em suas missões no país.
Kathryn com uma competência acima da média nos introduz num universo sem política, religião e outras distrações, o mote de seu filme é o estado emocional e o efeito nos indivíduos das situações que vivem. Destaca-se além disso a especialidade do esquadrão escolhido, que possibilita um suspense constante do início ao fim. Existe habilidade técnica suficiente pra desarmar todo tipo de bomba e aparatos explosivos?
Guerra ao Terror não à toa colhe indicações e prêmios, sua presença entre os grandes filmes de guerra é garantida pela sensibilidade que Kathryn Bigelow constrói cena a cena. Drama, suspense e realismo caminham lado a lado num equilíbrio perfeito.
É na pele dos soldados que surge a crítica à guerra, seja sob seus reais motivos ou pela alteração radical que imprime nas personalidades de muitos homens que são incapazes de se adaptarem ao antigo cotidiano.

Pontos Altos
: War is a drug
Pontos Baixos: Bush cadê você?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Leitor (The Reader)

Diretor: Stephen Daldry

Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, David Kross

Gênero: Drama

Ano: 2008








Tudo começa com o adolescente Michael ensopado e doente se abrigando na entrada de um prédio e logo em seguida sua acolhida por Hannah, uma mulher adulta que termina se envolvendo com o garoto numa relação com um detalhe importante que não é a diferença de idade, ela sempre pede a ele que leia livros e muito se emociona com sua habilidade narrativa pelos mais diversos temas.

O Leitor é um drama que pode ser visto de várias formas, são vários detalhes e temas abordados, mas o principal a ser notado é a culpa e vergonha pela omissão que aflige os protagonistas. Estar “em cima do muro” e se juntar a multidão é algo muito fácil que pode ter grandes conseqüências.

Michael e Hannah dividem uma cama e um tipo de comportamento que não os redime de seus pecados, mas que é facilmente identificável e compreensível pelo espectador. Quantas vezes optamos pelo caminho mais fácil apesar de não concordar com ele?

Falar mais sobre O Leitor pode revelar mais do que necessário e destruir o elemento surpresa do drama. A ambigüidade moral e o efeito das decisões tomadas baseadas nessa característica são tratados de forma muito delicada por Stephen Daldry com o auxílio do talento inquestionável da provável ganhadora do Oscar Kate Winslet.

O Leitor suscita reflexão sobre responsabilidade e seus limites e emociona em diversas partes, apesar de não poder ser considerado um filme extraordinário é extremamente interessante e vale a pena ser visto.


Pontos Altos: Kate Winslet, David Kross, uma surpresa totalmente inesperada

Pontos Baixos: Mais uma interpretação insípida de Ralph Fiennes, uma surpresa facilmente prevista

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Duquesa (The Duchess)

Diretor: Saul Dibb

Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Hayley Atwell, Charlotte Rampling, Simon McBurney, Dominic Cooper, Aidan McArdle

Gênero: Drama

Ano: 2008







O incontestável distúrbio alimentar de Keira Knightley nunca foi um obstáculo para seu talento, mais uma vez a atriz figura fácil em filmes de época apresenta uma interpretação impecável e absolutamente convincente.

Georgiana Spencer, a duquesa de Devonshire, que viveu entre os séculos 18 e 19 é sem dúvida, uma das mulheres mais modernas que se tem notícia até hoje.

O casamento arranjado aos 16 anos com o duque marca o início do drama que repassa grande parte da vida de uma mulher dotada de uma incrível inteligência, senso crítico e beleza, uma figura pública totalmente amada e seguida por homens e mulheres.

O fascínio exercido por sua imagem em sua época, no entanto, não era unânime e o seu marido acaba por se revelar o único imune aos seus encantos. Seu grande poder somado a personalidade independente da esposa transforma a corte no cenário do sofrimento dilacerante desta mulher.

Num período onde mulheres se resumiam a incubadoras de filhos, objetos sexuais e a empregadas, a sensibilidade política e social da Duquesa surgem como os principais traços de uma pioneira, importante e influente personalidade feminista.

É possível dizer que a relação do funcionalista Duque com a esposa representa o confronto entre a realidade e o idealismo, o pragmatismo e a visão romântica e por que não do sexo e do amor.

Georgiana a todo tempo se mortifica com a dificuldade em se conectar com o lacônico esposo que com sua sinceridade pontual lhe lembra sua função e obrigações não cumpridas sempre que crê necessário.

E sua principal função e obrigação é prover um herdeiro homem ao duque, algo que não ocorre com facilidade e se transforma num grande e íntimo martírio. Mesmo aceitando sua função a duquesa resiste a aceitar sua posição de subordinação e submissão perante o seu marido lutando com poucos recursos contra a dominação.

Um drama de época que retrata a corte e seus temas básicos como aparências, traições, hipocrisias e fofocas que com uma direção de arte estupenda e a visão clássica e exuberante de Saul Dibb proporciona um rico retrato da sociedade e um breve esboço do retrato de uma grande mulher.


Pontos Altos: Fogo na peruca, figurino, cenários, retrato detalhado da época

Pontos Baixos: Pinta nojenta que a duquesa usa num baile, transição temporal abrupta