quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Busca Implacável (Taken)

Diretor: Pierre Morel
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen, Xander Berkeley, Katie Cassidy, Olivier Rabourdin, Leland Orser
Gênero: Suspense
Ano: 2008







Busca Implacável é um dos lançamentos mais terríveis de 2008, um roteiro fraco com clichês tão manjados e forçados que mais parece uma paródia (das piores), diálogos absurdamente inapropriados e totalmente desconectados da linguagem popular e até mesmo dos próprios filmes de ação dão o tom deste filme dispensável.
Impossível não sentir um enorme desprezo pela interpretação da filha seqüestrada, afinal Maggie Grace acredita que pra aparentar 17 anos é necessário dar muitos gritinhos infantis, correr como uma mongolóide e outros adjetivos claros apenas para quem assistiu.
Liam Neeson até tenta manter certa dignidade, mas sua interpretação é uma mistura completamente infeliz de tantos outros mais marcantes como Jack Bauer, MacGyver e Rambo.
Busca Implacável não oferece mais que perseguições, tiros, mortes sangrentas e torturas que mal convencem. Nada novo, monotonia com sangue.
Economizem alguns minutos e esqueçam este filme.

Pontos Altos: Créditos finais quando a nossa tortura termina
Pontos Baixos: Roteiro, direção, interpretação, própria existência do filme em si

Senhor das Moscas (Lord Of Flies)

Diretor: Harry Hook
Elenco: Balthazar Getty, Chris Furrh, Danuel Pipoly, James Badge Dale, Andrew Taft, Edward Taft
Gênero: Drama
Ano: 1990






Senhor das Moscas é uma experiência aterrorizadora e impressionante, quando um grupo de meninos sofre um acidente e acaba naufragado numa ilha com seu moribundo professor é de se esperar um clima tenso com crianças inocentes sofrendo com a natureza selvagem. Não é?
Mas o que vemos de fato é quão selvagem o ser humano se torna quando a sociedade não está presente para impor suas regras de conduta e convívio social, e o fato de crianças serem as vítimas e algozes de toda violência é o que choca o espectador.
O que aconteceria se crianças não tivessem adultos as supervisionando por muito tempo? Senhor das Moscas pretende oferecer uma resposta. Obviamente o desvirtuamento de valores é algo extremamente possível num ambiente onde as regras são criadas conforme o novo tipo de organização e hierarquia que surge e isso não é necessariamente uma coisa boa ou ruim.
Há em Senhor das Moscas uma hipótese para perguntas antropológicas e psicológicas que são mais toleráveis na teoria e imaginação do que visualizadas em um filme, por outro lado os personagens são criados de uma forma maniqueísta e previsível nos obrigando a tomar partido do bom menino defensor dos valores da sociedade e resistência a forma de poder anárquica que naturalmente se impõe.
O incômodo gerado pelo filme poderia ser maior se houvesse no bom garoto Ralph uma resposta a altura do terror que lhe é infligido ou um final que lhe oferecesse uma redenção sem uma aura de santidade, afinal todos sabemos que crianças são extremamente cruéis e o homem talvez não seja tão bom por natureza.

Pontos Altos: Crianças que sabem interpretar decentemente, levantamento de questões e discussões interessantes para reflexão
Pontos Baixos: Roteiro (adaptado de livro) maniqueísta

Série da Semana

Mad Men é a nova aposta da HBO pra encher seus armários de prêmios e arrebatar a audiência, a série se passa nos anos 60 e retrata o universo feroz dos profissionais de propaganda.
Os detalhes e a produção são extremamente cuidadosos o que é de se esperar, sem falar que é outra cria de Matthew Weiner (Família Soprano).
No mais, muito álcool, cigarros, sexo, traições, polêmicas e tradições da época e principalmente mistérios.
Surpreendente e elegante a série promete muito ainda. O cenário sessentista nova iorquino tem muitas histórias pra contar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

007 Quantum Of Solace

Diretor: Marc Forster
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Joaquín Cosio, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Gemma Arterton
Gênero: Aventura
Ano: 2008







O segundo filme com Daniel Craig como James Bond não se compara com o primeiro onde muitas expectativas cercavam o próprio filme sem Pierce Brosnan e muito mais sobre um ator totalmente diferente dos outros, porém o Bond loiro superou todas as expectativas e trouxe uma nova força, uma imagem mais masculina e durona ao agente britânico de Ian Fleming.
A fórmula com menos parafernália tecnológica e mais ossos quebrados funcionou muito bem, infelizmente nesta seqüência há um problema grave de roteiro e o descuido afetou o filme como um todo e a escolha da Bond girl e o impacto esperado com o surgimento de um grande vilão.
Basicamente temos um Bond desiludido e traído que busca vingança pela morte de sua amada Vésper, assunto esse repetido por diversas vezes no filme e tema do anterior, a trama não traz elementos novos relevantes e se não fosse por Judi Dench e Daniel Craig, Quantum of Solace seria apenas mais um medíocre filme de espionagem.
Felizmente o James Bond mais agressivo e com ótimo preparo físico é capaz de saltar, lutar e apanhar muito, algo que sempre é esperado de um filme do espião e que é feito com uma coreografia extremamente bem cuidada que consegue empolgar o espectador.
Porém o fraco roteiro não faz muito sentido, e algumas coisas precisam ser explicadas pelos próprios personagens, um problema que nos deixa com a impressão de que perdemos algum pedaço do filme o que de fato não ocorreu.
O término do filme abre espaço para a terceira seqüência e a esperança que a contundência de Casino Royale seja equiparada ou superada.

Pontos Altos: Daniel Craig fodão, Judi Dench, lutas suspensas muito boas
Pontos Baixos: Roteiro sem coesão e apelo, Bond Girl sem personalidade

Max Payne

Diretor: John Moore
Elenco: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Ludacris, Donal Logue, Chris O'Donnell, Nelly Furtado, Olga Kurylenko
Gênero: Ação
Ano: 2008







É possível fazer um filme bom com um roteiro ruim? E um filme ruim com um bom roteiro? Obviamente as duas perguntas têm a mesma resposta e o que evita o adjetivo “ruim” é a direção, um bom profissional consegue tirar boas idéias do pior roteiro e transformar algo sem muito potencial numa experiência no mínimo divertida.
Max Payne é um filme ruim por todo conjunto de elementos possíveis e imagináveis, mas se a culpa é de alguém John Moore é esta pessoa. A boa fotografia não consegue se destacar mais que as fracas e caricatas interpretações dos atores do filme, o ritmo rápido e didático com que o roteiro se desenvolve é infantil e irritante trazendo a ausência absoluta de emoção.
É impossível suportar Max Payne e aceitar o anti-herói que perdeu a família num assassinato sem solução. Se o mínimo esperado é ótimos efeitos especiais e visuais correspondentes aos fantásticos cenários dos videogames, o que vemos é a versão pobre de uma mistura de Matrix, Sin City e Constantine.
Assistir Max Payne é um exercício de memória onde o espectador visualiza mentalmente diversos filmes de ação muito melhores onde no mínimo conseguiram “desligar o cérebro” e se divertir por uma hora e meia.

Pontos Altos: Max Payne fugindo dos tiros num rio congelado, Natasha a vagabunda russa tentando rir, andar e vestir sua roupa ao mesmo tempo e não conseguir de primeira (e ninguém refazer a cena)
Pontos Baixos: Tomb Raider é melhor, precisa dizer mais?

Maratona do Amor (Run, Fat Boy, Run)

Diretor: David Schwimmer
Elenco: Simon Pegg, Thandie Newton, Hank Azaria, Dylan Moran, Harish Patel, Ameet Chana, India de Beaufort, Matthew Fenton, David Gatt
Gênero: Comédia Romântica
Ano: 2007






Maratona do Amor é a estréia na direção de David Schwimmer (o ‘Ross’ de ‘Friends’), no geral o resultado não desagrada, o ator americano traz uma comédia romântica em Londres e o característico humor britânico que não lhe é familiar está bem representado pelo absolutamente hilário Simon Pegg.
O grande porém de Maratona do Amor é o roteiro, absolutamente sem graça e sem criatividade, só que a química entre os personagens é tão boa que é possível imaginar os mesmos estrelando outros filmes e nos fazendo rir muito.
A habilidade cômica de Simon Pegg nos momentos mais improváveis é impressionante, o ator e co-roteirista interpreta um indivíduo vagabundo, imprestável e que nos faz gargalhar das situações completamente desmoralizantes e humilhantes que vive diariamente, essa sua habilidade única em fazer rir das coisas mais desprezíveis valem os 90 minutos do filme.
Se a estréia de David Schwimmer não é um marco no cenário do cinema do gênero, tampouco é um esforço que deva ser ignorado ou repudiado, a direção confiante aliada a construção dos personagens e a forma como o humor flui espontaneamente aponta para o surgimento de um diretor que deve evoluir e trazer um humor de qualidade às grandes telas.

Pontos Altos: Química dos personagens, diretor promissor (sem Oscar e sem Framboesa de Ouro), Simon Pegg sempre imperdível
Pontos Baixos: Roteirinho de meia tigela

Série da Semana













Nancy Botwin (Mary-Louise Parker) é a verdadeira dona de casa desesperada, recém viúva e com dois filhos para criar a respeitável senhora decide se tornar uma traficante de maconha no subúrbio americano, como manter uma família sem nunca ter trabalhado?
Weeds é uma transgressora comédia do ousado canal americano SHOWTIME que no Brasil é exibida pelo canal da Globosat GNT.
Politicamente incorreta com grandes atores em excelente sintonia e um timing perfeito a premiada série tem se superado em seus três anos de existência com ótimos roteiristas e direção bem executada.
Imperdível.