quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Malvada (All About Eve)

Diretor: Joseph L. Mankiewicz

Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Marilyn Monroe

Gênero: Drama

Ano: 1950







Décadas se passaram e A Malvada permanece como um dos grandes filmes do cinema mundial, não apenas pelo elenco afinado e o roteiro sempre contemporâneo, é o jogo de identidades reveladas e mascaradas que formam a grande qualidade deste longa metragem.

Mankiewicz nos apresenta uma trama que a partir de um flashback de um evento atual nos introduz no forjar suspeito de uma premiada estrela de teatro.

Eve Harrington é uma pobre garota fascinada pelo talento da veterana diva do teatro Margo Channing, a admiração se converte em relação próxima quando a atriz se sensibiliza com a triste história de vida da jovem e a contrata como secretária particular.

Eve é boa demais, esperta demais, uma jovem servil, competente e submissa. Sua máscara de boa moça tarda a trazer desconfiança a veterana Margo que uma vez seduzida pela suposta idolatria permite que a jovem se estabeleça em seu círculo social e tente utilizar aqueles contatos íntimos para chegar ao seu objetivo em se tornar uma jovem estrela dos palcos.

O culto da juventude, a dissimulação, sexo e poder abordados no filme podem servir como metáfora para qualquer situação real e completamente atual. A manipulação de egos é tão fácil quanto ilusória, não existem vítimas propriamente ditas, é tudo puramente simbiótico e isso fica evidente especialmente nas cenas finais.

Talvez possamos depreender que A Malvada é um filme que versa sobre os caminhos possíveis para se chegar a um objetivo, mas o que mais se destaca é a questão do ego, é ele que conduz os personagens a sacrificarem os outros e a si próprios para alcançar um reconhecimento social ou um prazer pessoal.

Aparte o interessante e bem executado roteiro, as interpretações singulares, o humor ácido e a crítica social seriam motivo suficiente para (re)ver a aula de cinema de Mankiewicz.

Imperdível.


Pontos Altos: Diálogos rápidos e contundentes, humor inteligente, Bette Davis detonando, momentos de silêncio que só existem no cinema de arte atual, ponta da então da belíssima iniciante Marilyn Monroe

Pontos Baixos: Anne Baxter é uma boa atriz, mas não chega aos pés de Bette Davis

Última Parada 174

Diretor: Bruno Barreto

Elenco: Michel Gomes, Cris Vianna, Marcello Melo Jr., Gabriela Luiz, Anna Cotrim, Tay Lopez, Douglas Silva

Gênero: Drama

Ano: 2008







Sensibilidade, empatia e direção de elenco não são os pontos fortes do representante brasileiro ao Oscar 2008. Bruno Barreto transformou um roteiro extremamente dramático e complexo num filme sem emoção resultando em fracasso de bilheteria.

Felizmente José Padilha no documentário Ônibus 174 contou a mesma história sem abusar de sentimentalismos e mesmo assim transmitiu muito bem suas idéias e sua tese sobre os motivos de toda tragédia.

Última Parada 174 retrata com frieza um tema extremamente controverso, a dramatização da vida do criminoso (e vítima) Sandro é interessante por um lado, mas a maneira como é contada simplesmente não conecta os elementos entre si nem forma uma ligação com o espectador.

Uma intenção nobre ou um oportunismo mal colocado? O fato é que o resultado é tedioso e cansativo e o famoso desfecho não arrepia um fio de cabelo.


Pontos Altos: Fotografia

Pontos Baixos: Elenco despreparado, roteiro sem coesão, zero emoção

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crepúsculo (Twilight)

Diretor: Catherine Hardwicke

Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Welch, Justin Chon, Peter Facinelli

Gênero: Romance

Ano: 2008







Viver eternamente na pele de um adolescente parece ser um martírio incomensurável pra qualquer um, Crepúsculo vai contra essa premissa e alça Robert Pattinson ao estrelato na pele do vampiro teen Edward.

Crepúsculo é um romance muito atrativo para as garotas mais jovens, pois trata dos sentimentos conflituosos da entrega ao crescente desejo ou da conservação da virgindade ou como metáfora o próprio pescoço. A contradição estabelece uma conexão imediata com o universo adolescente que inevitavelmente se transforma em sucesso de bilheteria. É nessa idade que o desejo parece ser a única coisa importante e o amor parece mais forte e eterno do que é de fato.

A jovem Bella (Kristen Stewart, outra estrela adolescente em ascensão) decide se separar temporariamente de sua mãe e seu padrasto devido ao modo de vida errático em que vivem. Como não é emancipada ela precisa retomar o contato com seu pai ao morar com ele numa cidade fria e nublada de cerca de três mil habitantes.

Uma adolescente já teria calafrios só de pensar remotamente nessa possibilidade, mas Bella é um tanto quanto excêntrica e encara a mudança como quem corta o cabelo. O colégio que normalmente é o palco das torturas desta fase da vida além de se mostrar bastante receptivo com a jovem não tem a mínima aparência de cidade pequena.

O pálido e misterioso Edward encanta os olhares de Bella e logo se inicia um romance perigoso e extremamente excitante.

Essa é a fórmula do sucesso de Crepúsculo, os excessos nos diálogos e as sequências de efeitos especiais extremamente cafonas não abalam a composição da fórmula que garante diversão para quem embarca e aceita toda a mitologia e suas modernizações feitas especialmente para garotas.


Pontos Altos: Charme do casal, trilha interessante, abordagem de público direcionada e efetiva

Pontos Baixos: Se vampiro já é naturalmente brega os imagine ouvindo IPhone e outras interações com o mundo atual