quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Rebobine, Por Favor (Be Kind Rewind)

Diretor: Michel Gondry
Elenco
: Jack Black, Melonie Diaz, Danny Glover, Mos Def, Mia Farrow, Matt Walsh, Marcus Carl Franklin, Arjay Smith, Paul Dinello, P.J. Byrne
Gênero: Comédia
Ano: 2008






Jerry (Jack Black) e Mike (Mos Def) são dois amigos que não fazem nada de muito interessante na vida, são típicos americanos losers, o segundo trabalha numa das últimas locadoras de VHS da cidade enquanto o alucinado Jerry é um mecânico que vive de delírios.
Quando o mecânico resolve sabotar uma usina de energia elétrica que acredita estar afetando seu cérebro acaba se tornando um imã ambulante após ser vítima de uma grande descarga elétrica.
Sua presença (des)magnetizante na locadora em que seu amigo trabalha acidentalmente apaga todo o acervo da loja.
Fitas em branco e clientes interessados em títulos manjados, preocupados com a reação do dono da loja e depois de tentativas frustradas de encontrar em VHS os filmes apagados os amigos resolvem atender ao pedido de uma senhora e encenam uma versão para o clássico Os Caça-Fantasmas. A solução absurda e pouco convincente faz sucesso e os pedidos aumentam.
Com muita criatividade e bom humor versões de muitos filmes conhecidos são reencenadas (ou “suecadas” conforme definição dos mesmos) e os remakes emplacam.
Rebobine, Por Favor é uma comédia que conta com o talento criativo de Michel Gondry e com o carisma incontestável de atores possuidores de forte veia cômica.
Bom humor + emoção bem dosada.

Pontos Altos: Atores excelentes, tema original
Pontos Baixos: Um pouquinho de clichê, mas nem dói

Cão Sem Dono

Diretor: Beto Brant, Renato Ciasca
Elenco: Júlio Andrade, Janaina Kremer, Marcos E. Contreras, Roberto Oliveira, Sandra Possani, Luiz Carlos V. Coelho, Tainá Müller
Gênero: Drama
Ano: 2007





Beto Brant é um desses diretores elogiados que eu tento com muito empenho apreciar, mas não consigo ver qualidades, só consigo me irritar. Este é o último filme que eu assisto do Brant até que ele seja chamado pra dirigir um filme do Batman quando serei obrigado a conferir.
Apesar dos prêmios alcançados Cão Sem Dono não possui qualidades que eu possa me recordar. Roteiro fraco, iluminação razoável, atuações sofríveis e som péssimo (muitas vezes não é possível ouvir os diálogos).
Ciro é um jovem recém-formado que está perdido após sua graduação e que se envolve com Marcela uma aspirante a modelo. Ele mora sozinho num apartamento onde abriga um cão que achou na rua, mas que não assume como seu (um cão sem dono!), dorme num colchão no chão do quarto e se dedica ao álcool e ao cigarro sem muita cerimônia.
Marcela interpretada pela modelo/atriz/manequim Tainá Muller se apaixona por Ciro e pouco a pouco vai se infiltrando em sua vida até o momento em que é vítima de uma fatalidade e precisa se afastar o que leva o jovem Ciro a um declínio rápido e destrutivo.
Através de Marcela e Ciro podemos identificar tipos ideais e opostos de futuro desejado, a formação acadêmica que por ser intelectual é supostamente mais estável e o outro que envolve a beleza, a fugacidade e a instabilidade. E os opostos se atraem...
Se a história de Cão Sem Dono é mais do que aparenta podemos apenas ter certeza que sexo, drogas e niilismo são os traços que definem o retrato do jovem de vinte e poucos anos brasileiro da atualidade. Há algo a se temer na grande oferta de possibilidades e uma grande dificuldade em se viver quando é necessário optar o tempo todo por algo.

Pontos Altos: Grávida louca, cenas de sexo realistas
Pontos Baixos: Interpretações rasas, crise existencial pop batida

Charlie Bartlett

Diretor: Jon Poll
Elenco
: Anton Yelchin, Robert Downey Jr., Hope Davis, Kat Dennings, Tyler Hilton, Ishan Davé e Megan Park
Ano: 2007
Gênero
: Comédia




Charlie Bartlett é um filme para adolescentes e seus pais, ao contrário de outros títulos deste gênero ele não se limita aos clichês mais conhecidos, não divisão entre os jovens em grupos, mas estabelece características comuns as mais diversas “tribos”.
Pelos olhos do protagonista Charlie (o mais do que carismático Anton Yelchin) uma escola convencional é revolucionada, o rico garoto que não conhece limitações impostas por adultos começa após uma “consulta” a vender para os interessados os remédios legais controlados mais variados. Com isso o jovem ganha popularidade e respeito entre os seus pares além de espalhar felicidade e contentamento pelos corredores.
O diretor Jon Poll procura explorar a dificuldade de comunicação entre adolescentes, seus pais e outros adultos. Cheios de conflitos e problemas de auto-estima os jovens (até mesmo os mais populares) preferem se medicar a enfrentar a barreira monstruosa que é conversar com seus pais.
A chegada de Charlie retira os alunos da realidade que acreditavam ser inabalável e acreditando mais na força que possuem começam a incomodar o acomodado diretor (Robert Downey Jr.) que enxerga em Charlie a origem de todos os seus problemas.
Charlie Bartlett é um filme que através do bom humor explora a barreira invisível entre as novas e antigas gerações, não foge de todos os clichês, mas ultrapassa com folga as comédias pastelão que normalmente são produzidas visando esse público.

Pontos Altos: A perturbada mãe de Charlie, os talentos indiscutíveis de Downey Jr e Anton Yelchin
Pontos Baixos: “Adolescente-problema” não conversa sobre suas intimidades com adolescente que mal conhece não..

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Procurado (Wanted)

Diretor: Timur Bekmambetov
Elenco: James McAvoy, Morgan Freeman, Angelina Jolie, Terence Stamp, Thomas Kretschmann, Common, Kristen Hager, Marc Warren
Gênero: Ação
Ano: 2008





O Procurado é um filme que chama muito atenção principalmente pelos efeitos especiais, as balas não são meros sons e sim protagonistas das cenas de ação, as leis da física não se aplicam e são absurdamente maleáveis. Ação e mais ação o tempo todo.
É o absurdo da lógica torcida da história em quadrinhos em que se baseou o filme que traz as melhores seqüências, além da presença da estonteante e um tanto quanto magra Angelina Jolie, o veterano Morgan Freeman e James McAvoy interpretando o protagonista Wesley Gibson um nerd infeliz de escritório que se torna o maior assassino do mundo, tantos astros num filme de ação bem humorado e corretamente dirigido são a tradução do conceito de entretenimento.
O protagonista James McAvoy tem sido uma escolha das mais acertadas dos estúdios desde Crônicas de Nárnia até o mais recente sucesso Desejo e Reparação sem esquecer o intermediário e contundente O Último Rei da Escócia.
Por ser uma adaptação de uma HQ, o filme condensa muitos detalhes de um universo rico de referências e personagens, mas se a intenção é divertir o telespectador, o objetivo é facilmente alcançado.
Um filme de ação que dirigido pelo russo Timur Bekmambetov consegue ultrapassar todas as barreiras do plausível. O espectador deve deixar toda sua racionalidade de lado e ficar sem fôlego com cenas de ação mais do que eletrizantes entremeadas por tomadas de um humor típico do gênero. Uma mistura da ação e efeitos especiais de Matrix com o humor do Homem-Aranha.
Vai perder?

Pontos Altos: Cenas de ações absurdas, cenas de luta, efeitos especiais incríveis
Pontos Baixos: Magreza exagerada de Jolie, ratinhos absurdos

O Clube de Leitura de Jane Austen (The Jane Austen Book Club)

Diretor: Robin Swicord
Elenco
: Emily Blunt, Hugh Dancy, Maria Bello, Kevin Zegers, Maggie Grace, Amy Brenneman, Nancy Travis, Marc Blucas, Kathy Baker
Gênero: Comédia Dramática
Ano: 2007






Algumas mulheres de diferentes idades que possuem experiências de vida muito distintas por algum motivo se reúnem para discutir algo em comum, o amor e a identificação com as obras da aclamada Jane Austen.
Da mesma forma que vivenciam um drama próprio essas mulheres contemporâneas lêem as obras com um olhar particular e é isso que move as discussões e que no limite transforma as relações que elas têm com os homens e a própria amizade que desenvolvem.
O Clube de Leitura de Jane Austen é mais bem apreciado por quem conhece os livros ou até mesmo os diversos filmes que foram adaptados com muito sucesso pela indústria cinematográfica. As referências estão presentes a todo o momento explícita e implicitamente.
A artificialidade das reuniões e dos encontros e desencontros são superados pela trilha excelente e pelas boas atrizes presentes. Há algo de encantador no romance principal que deve emocionar principalmente quem se envolve com os amores impossíveis dos livros de Jane.
O Clube de Leitura de Jane Austen é um filme agradável com bons momentos de humor e emoção, mas não é marcante o suficiente para ser lembrado por muito tempo.
Diversão média descompromissada.

Pontos Altos: O amor é lindo, Maria Bello, trilha perfeitinha, humor bem dosado
Pontos Baixos: Artificialidade das relações, peruca barata da Emily Blunt

Margot e o Casamento (Margot At The Wedding)

Diretor: Noah Baumbach
Elenco
: John Turturro, Nicole Kidman, Jack Black, Jennifer Jason Leigh, Ciarán Hinds, Flora Cross, Ashlie Atkinson, Barbara Turner
Ano: 2007
Gênero: Drama





O diretor Noah Baumbach (de A Lula e a Baleia) traz mais um perturbador drama familiar, um tipo de filme que não se destina ao espectador comum, mas sim aos iniciados e apreciadores de discussões e relacionamentos familiares dos mais conturbados.
Margot e o Casamento trata do reencontro de duas irmãs interpretadas por Jennifer Jason Leigh e Nicole Kidman que após anos brigadas resolvem se conciliar na data do matrimônio da primeira.
Margot interpretada por Kidman volta com seu filho à cidade em que foi criada e o que deveria ser um encontro de perdão e afetos se torna um festival doentio de agressões verbais, dissimulações e os mais variados desvios de comportamento social.
Noah Baumbach possui uma estranha habilidade em expor as feridas dos relacionamentos e neste filme ele faz isso de uma forma extremamente crua tanto no diálogo quanto nas imagens expressada através de uma sombria fotografia.
Margot uma mulher extremamente sádica espalha os piores impropérios disfarçados de conselhos sem olhar a quem. Nem o filho nem ela mesma escaparão do poder de suas palavras e suas conseqüências destruidoras.
Um brinde ao sadismo.


Pontos Altos: Margot horrorizada com o futuro marido (Jack Black??!!!) da irmã, Margot descendo da árvore, conversas inconvenientes
Pontos Baixos: Todo filme do Noah o povo se masturba (sem uma inspiração apropriada..)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Hancock

Diretor: Peter Berg
Elenco: Will Smith, Jason Bateman, Charlize Theron, Daeg Faerch, Darrell Foster, Lauren Hill, Valerie Azlynn, Kate Clarke, Lily Mariye
Gênero: 2008
Ano: Ação





Hancock é um roteiro original e isso apenas significa que não é um herói que veio de histórias em quadrinhos ou desenhos animados. Não há inovação em termos criativos ou em estilos de narrativa.
Will Smith o grande chamariz de bilheteria interpreta um anti-herói, um homem que é dotado de super-poderes e que ao contrário de Superman não tem qualidades de caráter sobre-humanas. É mulherengo, solitário, bêbado, inconseqüente e politicamente incorreto.
A descrição pode despertar um grande interesse, mas o desenvolvimento da idéia é limitado por um roteiro fraco e que acaba engessado.
O herói incorreto por natureza atrai mais ódio que admiração, e um fracassado profissional de relações públicas o visualiza como um grande projeto de marketing. O envolvimento entre eles apaga aos poucos a personalidade ímpar de Hancock e a esperança de uma experiência diferenciada de entretenimento.
Há a possibilidade de se enxergar em Hancock uma paródia velada aos filmes certinhos de super-heróis, porém a armadilha do roteiro fácil, previsível e cheio de inconsistências afasta uma identificação plena com a sátira e com a fantasia.
Smith é um grande humorista e ótimas piadas são proferidas pelo seu personagem o que salva o roteiro do completo desprezo do público.
A crítica à comercialização da imagem não se consolida e o absurdo das origens dos poderes do herói não conseguem vender a idéia de um herói que chegou para ficar.

Pontos Altos: Will Smith, humor, bons efeitos especiais
Pontos Baixos: Roteiro fraco e difícil de engolir