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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Amor Sem Escalas (Up In The Air)

Diretor: Jason Reitman

Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Tamala Jones, Chris Lowell

Gênero: Drama/Comédia

Ano: 2009




Amor Sem Escalas é um título infame que traz à memória uma série de comédias românticas de pouca qualidade, felizmente a tradução preguiçosa não corresponde ao produto final do mais recente trabalho de Jason Reitman, diretor que chamou atenção de muita gente há pouco tempo atrás com o indie/pop Juno.
O filme não poderia ser mais contemporâneo, Ryan é um funcionário de uma empresa especializada em realizar cortes de pessoal, longe de ser uma auditoria imparcial que otimiza estruturas e processos o serviço dá conta de transformar no mais impessoal e sanitizado o processo de demissão.
Como ser demitido por alguém que não te conhece e tentar contra argumentar?
O trabalho de Ryan à primeira vista parece ser frio como o ofício de um executor ou cirurgião, a sistematização e a rotina ensaiada se estende a sua vida pessoal o que significa em última análise a ausência de laços de afeto e amarras sociais.
A crítica social em certo momento dá espaço para a comédia romântica e Amor Sem Escalas ganha muito em sua dramaturgia, o conteúdo conhecido em embalagem modernizada é bem conduzido pelo diretor que obtém de George Clooney sua melhor performance e de Vera Farmiga toda sua beleza magnética e talento.
A transformação do protagonista obviamente é esperada, mas ocorre de forma suave e sensível.
As comédias românticas tem se transformado ao longo dos tempos, protagonistas masculinos com características tipicamente femininas tem se debatido no universo masculino que antes parecia tão confortável.
Ponto pra Jason.

Pontos Altos: Edição, romance remixado para um novo tempo, filme bem situado em sua época
Pontos Baixos: Anna Kendrick

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Intrigas de Estado (State of Play)

Diretor: Kevin Macdonald

Elenco: Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Robin Wright Penn, Jason Bateman, Jeff Daniels, Helen Mirren

Gênero: Suspense/Drama

Ano: 2009







Conspirações envolvendo grandes corporações já se tornaram praticamente um gênero específico no cinema.

Intrigas de Estado em parcos 120 minutos oferece discussões políticas, dominação através do poderio econômico de uma grande empresa, relação extraconjugal exposta, amizade improvável entre um jornalista old school e um jovem e promissor político, a iminente morte da mídia escrita, o papel dos bloggers na formação de opinião do mundo moderno, insights com ideias brilhantes, perseguições, tiroteios, mentiras, reviravoltas e revelações.

Parece muita coisa para pouco tempo e de fato é, a tarefa de desenvolver um roteiro coerente com tanta coisa a ser dita pode significar um resultado esquizofrênico ou uma solução simplista demais.

Intrigas de Estado não é um grande filme, porém consegue segurar a atenção do espectador desde seu início chegando a seu ápice numa emocionante perseguição no estacionamento de um prédio.

Apesar da qualidade de grande parte do elenco e da competência técnica da direção algumas coisas parecem ingênuas demais, há muito tempo que a mídia escrita perdeu sua aura de “busca da verdade” ou que o jornalismo investigativo tem algum papel de fato importante para a sociedade, vivemos em outra Era.

Essa perda da inocência já nos provou diversas vezes que o vazamento de informações ou a divulgação de notícias servem sempre a algum propósito.

Como obra ficcional Intrigas de Estado cumpre seu papel em parte e deve emplacar numa Tela Quente sem grandes dificuldades.


Pontos Altos: Perseguição do estacionamento, Helen Mirren

Pontos Baixos: Clichês e repetições de velhas fórmulas, personagens sem profundidade

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Hancock

Diretor: Peter Berg
Elenco: Will Smith, Jason Bateman, Charlize Theron, Daeg Faerch, Darrell Foster, Lauren Hill, Valerie Azlynn, Kate Clarke, Lily Mariye
Gênero: 2008
Ano: Ação





Hancock é um roteiro original e isso apenas significa que não é um herói que veio de histórias em quadrinhos ou desenhos animados. Não há inovação em termos criativos ou em estilos de narrativa.
Will Smith o grande chamariz de bilheteria interpreta um anti-herói, um homem que é dotado de super-poderes e que ao contrário de Superman não tem qualidades de caráter sobre-humanas. É mulherengo, solitário, bêbado, inconseqüente e politicamente incorreto.
A descrição pode despertar um grande interesse, mas o desenvolvimento da idéia é limitado por um roteiro fraco e que acaba engessado.
O herói incorreto por natureza atrai mais ódio que admiração, e um fracassado profissional de relações públicas o visualiza como um grande projeto de marketing. O envolvimento entre eles apaga aos poucos a personalidade ímpar de Hancock e a esperança de uma experiência diferenciada de entretenimento.
Há a possibilidade de se enxergar em Hancock uma paródia velada aos filmes certinhos de super-heróis, porém a armadilha do roteiro fácil, previsível e cheio de inconsistências afasta uma identificação plena com a sátira e com a fantasia.
Smith é um grande humorista e ótimas piadas são proferidas pelo seu personagem o que salva o roteiro do completo desprezo do público.
A crítica à comercialização da imagem não se consolida e o absurdo das origens dos poderes do herói não conseguem vender a idéia de um herói que chegou para ficar.

Pontos Altos: Will Smith, humor, bons efeitos especiais
Pontos Baixos: Roteiro fraco e difícil de engolir