quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lunar (Moon)

Diretor: Duncan Jones
Elenco: Sam Rockwell, Kevin Spacey, Dominique McElligott, Rosie Shaw, Kaya Scodelario, Benedict Wong
Gênero: Ficção Científica
Ano: 2009



Numa época que ficção científica é sinônimo de CGI (computer generated images) e edição rápida e picotada, Moon a estreia do rebento de David Bowie na direção de um longa metragem é um alívio com tons nostálgicos.

Inspirado na ficção científica de filmes como Solaris e 200, Moon é um drama futurista no espaço.

Sam Bell é um astronauta designado a cumprir uma missão de 3 anos no lado escuro da Lua onde há exploração da energia do futuro o Hélio-3, prestes a alcançar o prazo de encerramento do seu contrato o solitário trabalhador que só tem como companhia um computador dotado de inteligência artificial começa a ter alucinações que culminam num acidente numa escavadeira.

Enquanto se recupera Sam descobre que não está mais sozinho na aeronave e uma jornada reveladora se inicia.

Duncan Jones utiliza poucos recursos com muita sabedoria, Moon é mais do que uma simples ficção científica, há drama, mistério, humor e crítica social.

Comovente e inteligente Moon enche de expectativas os próximos movimentos de Duncan Jones.


Pontos Altos: Walking on Sunshine, Sam Rockwell detonando, alguns efeitos especiais feitos com miniaturas

Pontos Baixos: Quem era aquela morena que apareceu e sumiu?

O Dragão Vermelho (Manhunter)

Diretor: Michael Mann
Elenco: William L. Petersen, Kim Greist, Joan Allen, Brian Cox, Dennis Farina, Stephen Lang, Tom Noonan
Gênero: Suspense
Ano: 1986



Thomas Harris criou um dos vilões mais importantes do cinema, o enigmático, brilhante e ultra perigoso Dr Hannibal Lecter, talvez o mais famoso psicopata da história do cinema, com presença mais marcante no premiado Silêncio dos Inocentes (1991) dirigido por Jonathan Demme e estrelado por Jodie Foster e Anthony Hopkins.

Hannibal teve outras aparições no cinema sem o mesmo sucesso e muitas de gosto duvidoso, a segunda melhor delas foi a de Dragão Vermelho dirigido por Bret Rattner (2002), porém este mesmo filme já havia sido rodado antes por Michael Mann em 1986, ou seja, antes do sucesso estrondoso de Silêncio dos Inocentes. Mann não teve muito sucesso nas bilheterias então ele e seu produtor resolveram não adaptar outros livros da série de Harris.

Em Manhunter o foco principal está no investigador Will Graham, um agente do FBI responsável pela captura do perigoso Lecter através de métodos muito próprios e não ortodoxos, ele consegue pensar como os criminosos que procura. Esse entendimento e a imersão na mente distorcida dos serial killers lhe permite suposições e intuições muito importantes nos casos em que se envolve lhe causando um grande incômodo psicológico como efeito colateral.

Michael Mann encena o suspense com uma dose certa de tensão, mas sem alguns detalhes mais assustadores que foram melhor abordados em Dragão Vermelho, em nenhum momento vemos as tatuagens do psicopata da “Fada dos Dentes” e não há tanta violência. Essas tatuagens eram essenciais!

Manhunter explora o terror psicológico e a tensão através da antecipação, o espectador está sempre esperando que algo aconteça.

Michael Mann aproxima sua visão do livro de Harris a um retrato menos idealizado e mais verossímil de um psicopata, as comparações com a adaptação mais recente não possibilitam a escolha por um ou pelo outro, há uma diferença importante de abordagem e execução.

Para os fãs de Silêncio dos Inocentes, Manhunter merece ser conferido. Michael Mann sabe o que está fazendo.


Pontos Altos: O jornalista sendo pego, o confronto final, interpretação acima da média de William L. Petersen

Pontos Baixos: Esse Hannibal não chega aos pés da versão de Silêncio dos Inocentes

Por Amor (Personnal Effects)

Diretor: David Hollander
Elenco: Ashton Kutcher, Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Spencer Hudson
Gênero: Drama
Ano: 2009




É ponto pacífico que 21 Gramas é definitivamente superior ao falar sobre as consequências das trágicas perdas pessoais, Por Amor segue a mesma tendência em investigar as carências e necessidades de pessoas traumatizadas e a relação fruto de uma vida destroçada..

Kutcher interpreta Walter, um rapaz que retorna a cidade natal após a morte violenta de sua irmã, abandonando a faculdade e trabalhando em bicos é forçado a comparecer a terapias de grupo com sua mãe, onde acaba conhecendo a também sofredora Linda vivida por Pfeiffer.

A pequena cidade onde se passa o filme jamais poderia ser chamada de paraíso, ao contrário é possível perceber que a leveza nunca esteve ali por muito tempo, as cores azuladas, as pessoas infelizes e a percepção de que nada de muito importante acontece apenas intensifica o complicado e mal digerido luto.

Por Amor é uma das primeiras tentativas sérias de Ashton Kutcher em um papel dramático, talvez aconselhado por agentes que o ensinaram que o terreno das comédias não é para todos por muito tempo, o fato é que o rapaz senão possui um talento extraordinário pelo menos tem uma interpretação correta, conseguindo imprimir personalidade ao seu introspectivo Walter.

Michele Pfeiffer já provou seu talento diversas vezes e poderia se beneficiar de alguns quilos extras, mas a beleza madura da loira ainda é atraente aos nossos olhos.

Por Amor é um drama trágico com uma dose correta de sobriedade. Não dói assistir.


Pontos Altos: Fotografia, esforço do Ashton, pouco esforço de Kathy Bates como sua mãe

Pontos Baixos: Fantasia de Galinha pra quê?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Melhores e Piores 2009

Demorou, mas o Filme Bom Filme Ruim vai divulgar a lista dos melhores e piores filmes postados em 2009. Quem quiser ler sobre os selecionados é só utilizar o menu Busca.

Piores

Gomorra
Watchmen
The Spirit - o filme
Última parada 174
Crepúsculo
Se eu fosse você 2
X-Men Origens: Wolverine
Exterminador do futuro 3 e 4
De Volta para o Futuro 3
Um copo de cólera
Duplicidade
Presságio
O Som do Coração
Anticristo
Gi Joe - A Origem do Cobra
O Sequestro do Metrô
Do Começo Ao Fim
Garota Infernal
This is it - Michael Jackson
Os Substitutos
Anjos e Demônios

Melhores

Se Beber Não Case
Ligações Perigosas
Bastardos Inglórios
500 Dias com Ela
Crepúsculo dos Deus
A Órfã
Distrito 9
De volta para o Futuro 1 e 2
Blade Runner (director's cut)
Brüno
Cova Rasa
Casablanca
Deixe Ela Entrar
2001 Uma Odisseia no Espaço
The Cake Eaters
Entre os Muros da Escola
Romance
Rede de Intrigas
Exterminador do Futuro 1 e 2
Coraline
O Homem Elefante
Rumba
Fargo
A Onda
A Malvada
Gêmeos Mórbida Semelhança
Valsa com Bashir
Quem quer ser um Milionário?
Dúvida
A Duquesa
Foi Apenas um Sonho
Vicky cristina barcelona
Caiu do Céu

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Julie & Julia

Diretor: Nora Ephron
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond
Gênero: Comédia/Drama
Ano: 2009




Julia Child é para culinária americana o que Ofélia foi há anos atrás, conhecida e admirada a mulher de altura elevada e trejeitos afetados mudou a história da cozinha ao invadir o espaço dominado por homens, com muita simpatia a bonachona Child encontrou a vocação junto aos instrumentos de cozinha e os resultados surpreendentes da combinação de ingredientes, temperos e manteiga.
Anos depois a jovem Julie, decide utilizar suas habilidades jornalísticas e sua perseverança prática para através de um blog narrar a aventura de realizar uma série de receitas do livro publicado por Julia Child.
As mulheres de Julie & Julia encontram num dos cômodos mais importantes da casa de um ser humano uma passagem para uma existência diferenciada onde a realidade pode ser mudada através da criatividade e do esforço e porque não pelo talento e esmero.
Julie & Julia infelizmente é mais sobre Julie e a admiração que sente pelo que acredita ser um modelo de mulher e ser humano, Julia Child interpretada graciosamente pela fantástica Meryl Streep não tem o espaço devido, ou se tem ele parece pouco haja visto seu talento e o magnetismo que a atriz possui.
Como comédia dramática, o filme é leve e facilmente digerível. Consequência prevista ou não, a profundidade dos conflitos internos dos personagens parece mais leve do que o esperado.
Não vale o Oscar, mas não é um desperdício de tempo. Meryl Streep está aqui mais do que confortável.

Pontos Altos: Meryl Streep, leveza

Pontos Baixos: Relacionamento de Child e o marido podia ser mais desenvolvido, Julie é uma tola

Tá Chovendo Hamburguer (Cloudy With a Chance of Meatballs)

Diretor: Chris Miller/Phil Lord
Elenco: Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Bruce Campbell, Andy Samberg, Mr. T, Tracy Morgan
Gênero: Animação
Ano: 2009




Talvez ainda chegue um ano que as animações não sejam mais consideradas como um gênero em si e se transformem num outro modo de fazer cinema onde o roteiro possa definir que tipo de filme estamos assistindo. Muitos filmes já são feitos nessa onda, mas o rótulo ainda persiste.
Tá Chovendo Hamburguer é uma animação feita para crianças, porém sua execução dificilmente seria feita com qualidade com a presença de atores reais e a interação com imagens geradas por computador.
Uma pequena ilha que fundamenta toda sua economia na exploração e comércio do peixe sardinha é abalada quando a iguaria é considerada “nojenta” e deixa de ser consumida e portanto exportada.
O colapso da economia é algo já vivenciado por diversas comunidades que vivem sob a égide da monocultura, o problema grave é visto como uma oportunidade para que o protagonista Flint, um incompreendido gênio de invenções pouco populares e úteis se inspire para buscar uma solução que lhe dê prestígio e o torne um herói local.
Uma engenhoca sua finalmente começa a funcionar e ele consegue então transformar simples moléculas de água em qualquer tipo de comida. O sucesso do invento o incentiva a torná-lo mais conhecido e por fim fazer com que o aparato em contato com nuvens faça chover comida em sua cidade.
Como estamos tratando de uma animação infantil o que parece ser ótima ideia logo se torna uma dor de cabeça e a oportunidade para que o afobado herói de fato salve a população da destruição iminente.
Muitos valores são explorados no filme que discute de certa forma a obesidade, o aquecimento global, o respeito à diversidade e a responsabilidade social como um todo.
Com qualidade técnica indiscutível e roteiro mediano Tá Chovendo Hamburguer cumpre seu papel (ainda mais quando visto em 3D) e pode entreter as crianças por uma boa sequencia de
repeats do seu aparelho de dvd.

Pontos Altos: Ensina a moderação, colorido e divertido

Pontos Baixos: Previsível e pouco criativo

O Veredito (The Verdict)

Direção: Sidney Lumet
Elenco: Paul Newman, Charlotte Rampling , Jack Warden, James Mason , Milo O'Shea, Lindsay Crouse
Gênero: Drama
Ano: 1982




Há uma simplicidade arrebatadora na batalha judicial de O Veredito representada pelo renascimento de um advogado solitário, fracassado e desacreditado através do envolvimento em uma causa aparentemente perdida.
O advogado de O Veredito é um anti herói em essência, há um charme em seu comportamento desvirtuoso e na retomada de seus valores éticos há muito tempo perdidos em balcões de bares, Newman interpreta sem exageros a epopéia solitária pela justiça, uma representação externa da luta pessoal do personagem para reencontrar-se, obstáculo tão difícil quanto convencer aos outros da possibilidade real em se vencer a causa pela qual luta.
Dia a dia o advogado tateia cegamente soluções contra um universo que parece engoli-lo com uma eficiência cruel. Enquanto todas as forças parecem envidar esforços contra sua luta, a única alternativa de redenção é representada pelo possível convencimento num júri manipulado a todo instante, uma alegoria da própria composição da sociedade.
Sidney Lumet utiliza um elenco maduro na representação do ressurgimento do herói em ruínas, vista também como uma luta da própria condição humana em se reconstruir após uma sucessão de derrotas que abatem o caráter do indivíduo comum e o entregam a uma existência à margem.


Pontos Altos: Newman +Lumet
Pontos Baixos: Longo como um processo judicial brasileiro