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terça-feira, 2 de março de 2010

Drácula (Bram Stoker's Dracula)

Diretor: Francis Ford Coppola
Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Tom Waits, Sadie Frost
Gênero: Terror/Romance
Ano: 1997




Com um orçamento generoso Coppola em grande estilo traz ao cinemão a origem do mito do Drácula, baseado no romance gótico de Bram Stoker o diretor investe pesado na constituição de época, nas imagens grandiosas e nas paisagens soturnas para narrar o surgimento do Conde Drácula, um soldado que se desentende com seu Deus quando sua amada comete o suicídio ao ser informada falsamente que seu amante foi assassinado em campo de batalha.
Interpretado por Gary Oldman, cuja maquiagem o tornou quase irreconhecível, o mais famoso vampiro de todos os tempos não é de longe assustador como esperado, suas transformações, declarações e linguagem corporal alternam entre uma velhice afeminada/patética e uma idade adulta de comportamento agressivo e ambíguo.
Filmes de vampiro são fantasiosos e abusam com frequência da sexualidade, o ato do coito e as mordidas tem a mesma intensidade e efeito, as vítimas desejam ser possuídas e transformadas e Drácula é o primeiro responsável por esse efeito hipnótico do predador sob sua presa.
Coppola investe pesado na produção e em segundo plano fica o roteiro que com muitas pontas soltas e conexões sem lógica se reverte num plano sequência de pouco impacto dramático e pouca coerência narrativa.

Pontos Altos
: Lucy a amiga liberal de Mina e seus humores, caracterização de época
Pontos Baixos: Ninguém tem medo desse Drácula, muita metamorfose e pouca coerência

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Homem Elefante (Elephant Man)

Diretor: David Lynch

Elenco: Anthony Hopkins, John Hurt, Anne Bancroft, John Gielgud, Wendy Hiller

Gênero: Drama

Ano: 1980







“Eu não sou um animal, sou um ser humano!” a frase proclamada por John Merrick, o Homem Elefante, tem um impacto tão grande quanto o som de uma arma disparada para o alto neste clássico de David Lynch.

Com muita classe, o controverso diretor, conta a tocante história de um homem acometido por graves deformações e doenças congênitas tão terríveis que não só lhe causam sofrimento físico, mas principalmente o relega a categoria de uma pessoa de segunda classe, um personagem de circo, um animal exótico a ser exposto para um público que se regozija com o suplício alheio e a evidente diferenciação social que uma estética monstruosa tem o poder de condenar.

O destino de Merrick muda quando é encontrado por um ambicioso e promissor cirurgião médico interpretado por Anthony Hopkins, de animal de circo para exemplo de anomalia genética o seu tratamento social começa a mudar e uma radical guinada acontece quando seu médico percebe que o Homem Elefante consegue falar, é sensível, educado e inteligente, o que atrai a atenção de diversas figuras públicas e pessoas da sociedade que ficam ansiosas por conhecer o monstro refinado.

Se por um lado, é até reconfortante imaginar que um homem deformado não possui consciência do que vive, saber que ao contrário o homem é sensível torna o sofrimento, maus tratos e o preconceito sofridos por ele muito mais poderosos. O Homem Elefante não é uma criatura e sim um homem.

David Lynch através de um caso específico revela o que há de monstruoso, cruel e assustador numa sociedade de traços perfeitos, o “diferente” e desconhecido não tem voz a não ser que lhe seja concedida, não tem direitos próprios ao menos que alguém o defenda e não merece a dignidade de um tratamento por ser “incurável”.

O Homem Elefante é um filme sensível e emocionante. David Lynch em grande estilo.


Pontos Altos: John tomando chá com a sociedade, a perseguição na estação de trem, as dúvidas do médico sobre seus reais interesses, o último sono

Pontos Baixos: Relação pouco desenvolvida do Homem Elefante com a criança cuidada pelo seu “proprietário”