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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vigaristas (The Brothers Bloom)

Diretor: Rian Johnson
Elenco: Rachel Weisz, Adrien Brody, Mark Ruffalo, Rinko Kikuchi, Robbie Coltrane
Gênero: Aventura/Drama
Ano: 2009





Vigaristas é o segundo filme de Rian Johnson, o primeiro foi Brick (2005) um intrincado thriller que possibilitou a oportunidade do diretor em trabalhar com atores renomados como Rachel Weisz, Adrien Brody e Mark Ruffalo.
A estética noir, o humor caricato e as atuações hiperbólicas dão o tom do filme que acompanha a saga de dois irmãos que sozinhos no mundo desde pequenos sobrevivem às custas de divertidos golpes e enganações.
O mais velho Stephen acredita que a vida é um grande golpe e seu grande sonho é conseguir alcançar a perfeição onde todos os envolvidos saiam satisfeitos e felizes mesmo tendo sido ou não ludibriados.
Bloom é o irmão caçula que já se cansou de viver sob o comando do irmão e seguindo scripts, seu desejo maior é viver uma história não escrita previamente, Bloom precisa encontrar o inesperado.
Vigaristas brinca o tempo todo com o espectador, as enganações em alguns momentos nos pegam de surpresa e nunca sabemos o que foi planejado ou como aquilo foi executado.
O grande destaque de Vigaristas é a interessante personagem Penelope, interpretado por Rachel Weisz, uma solitária herdeira que ao invés de arrumar reais ocupações lia livros de todos os tipos e aprendia através deles desde uma língua exótica até uma arte marcial e as melhores coisas melhor descobrir ao assistir o filme.
Vigaristas, infelizmente é tão preocupado em armar um grande golpe ou surpreender o espectador que em certo momento nada mais daquilo faz sentido e você já não está mais acompanhando as motivações dos personagens e até se questiona se elas existem de fato.

Pontos Altos: Elenco feminino
Pontos Baixos: Nonsense

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Onde Vivem Os Monstros (Where The Wild Things Are)

Diretor: Spike Jonze
Elenco: Catherine Keener, Max Records, Mark Ruffalo, Lauren Ambrose, James Gandolfini, Catherine O'Hara, Forest Whitaker
Gênero: Fantasia/Aventura/Drama
Ano: 2009




É necessário fugir do ceticismo para se aventurar no universo de Onde Vivem Os Monstros, a adaptação de um livro infantil de Maurice Sendak que com algumas imagens e poucas frases conta a história de um garoto de 9 anos comum que se revolta, esperneia e finalmente embarca numa grande fantasia.
Para Max as coisas são mais sérias do que para sua irmã ou sua mãe, ser ouvido e receber atenção é um grande desafio que as bestas mais selvagens não viriam dificuldade, para Max nada parece fácil e justo, a fuga parece a melhor opção e ao cair numa floresta cheia de criaturas que celebram a destruição e o companheirismo o pequeno garoto se encanta e se torna o rei da floresta.
Enquanto em sua casa a atenção era algo difícil de se se obter na realidade de Onde Vivem Os Monstros todos os olhos estão direcionados ao novo e pequeno rei Max, o garoto se identifica imediatamente e pode jurar que aquela vida é tudo que sempre desejou.
Aos poucos Max percebe que liderar e cuidar de outros indivíduos, por mais peludos que eles sejam, é muito mais complicado do que parece, expectativas e desejos pessoais não são tratadas com facilidade pelas pessoas mais experientes e o jovem Max percebe isso de forma traumática.
Onde Vivem Os Monstros é um conto de fantasia sombrio, desses que ensina lições de moral para as crianças, especificamente aqui é ensinado o valor das relações familiares e como o amor pode ser mal recebido ou interpretado.
Mais do que uma fábula moralizadora, Onde Vivem Os Monstros é um filme delicado em sua face mais selvagem, tocante e divertido é um ingresso de cinema de retorno garantido.

Pontos Altos
: Monstros feios e fofos, Max Record é um excelente ator mirim, Catherine Keer é a mãe que se expressa através dos olhos, Trilha sonora excelente
Pontos Baixos: Uma edição um pouco mais ágil o tornaria ainda mais eficiente

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness)

Diretor: Fernando Meirelles
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh, Jorge Molina
Gênero: Drama/Suspense/Horror
Ano: 2008







Se haviam dúvidas sobre a capacidade de Fernando Meirelles em transpor o “infilmável” livro de Saramago para a grande tela, as lágrimas do autor português ao assistir pela primeira vez o filme dissiparam todos os temores.
É fato que a essência contida nas linhas da complexa obra de Saramago foi traduzida para a linguagem cinematográfica, algumas mudanças obrigatoriamente foram feitas para que a história pudesse ser filmada o que pode suscitar discussões sobre algum detalhe ou outro, mas nenhuma delas coloca em dúvida o inegável talento de Meirelles.
O diretor brasileiro se consolida no cinema internacional ao superar o desafio de retratar a epidemia da cegueira branca que assola um país imaginário de personagens sem nome que revelam suas verdadeiras identidades quando a cegueira, o desespero, o caos, o instinto de sobrevivência e o medo devastam suas existências.
A natureza humana em Ensaio sobre a Cegueira é algo que assombra, aterroriza e absorve o espectador numa crescente agonia que chega abruptamente e não parece ter fim, o clima apocalíptico instiga a manifestação dos piores adjetivos até então adormecidos ou desconhecidos.
Um cenário assustador onde a intensificação das falhas de caráter já existentes e o egoísmo desenfreado levam a uma degradação generalizada e a destruição de tudo que havia sido construído enquanto havia alguma espécie de civilidade presente na sociedade pré-epidemia.
A mulher do médico interpretada pela assombrosa Julianne Moore, a única a enxergar em meio à epidemia, facilmente nos leva a uma identificação, afinal estamos assistindo a degradação da mesma forma que ela, seu auto-sacrifício heróico é ao mesmo tempo louvável e questionável, resistir ao poder quase divino que a visão proporciona ou sucumbir aos desejos pessoais de justiça. Assistir os passos desta mulher traz descobertas não só de uma situação ficcional, mas também dos conflitantes sentimentos dos espectadores que se imaginam na mesma situação.
Ensaio sobre a Cegueira consegue com sua fotografia pálida e direção contundente estimular questionamentos em grande parte pouco agradáveis, mas que trazem reflexões completamente necessárias e urgentes.
Um filme essencialmente provocador e absolutamente indispensável.
Assistam.

Pontos Altos: Atores extraordinários, fotografia e direção impecáveis, roteiro provocador
Pontos Baixos: Trilha inconveniente em alguns momentos