quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mother (Madeo)

Diretor: Bong Joon-ho
Elenco: Park Eun-kyo, Park Wun-kyo, Bong Joon-ho
Gênero: Drama/Suspense
Ano: 2009






Bong Joon-ho ganhou muita notoriedade fora da Coréia do Sul com O Hospedeiro, um thriller rápido sobre um mutante gigantesco que avança numa cidade após ter sofrido uma metamorfose decorrente da poluição causada pela sociedade, os dramas e aventuras de seus sobreviventes eram de tirar o fôlego dos que não se rendiam aos preconceitos dos “filmes de monstro”.
Mother é muito mais dramático e lento, há um suspense, mas sem um ritmo acelerado e frenético. O mistério se desdobra pelo desvendar de um crime pelas mãos de uma mãe super protetora, na luta pela inocência de seu filho preso e apontado como único suspeito.
Desconfiada da ausência de motivação que seu filho, um doente mental, teria para assassinar uma jovem a progenitora do título se vê envolvida numa intrincada e detalhada cadeia de acontecimentos que traz a tona muito mais que o esperado.
Bong Joon-ho é extremamente habilidoso com a câmera, sua narrativa prevê um ritmo absolutamente desacelerado até o clímax do perturbador desfecho. A estrutura pouco eficiente no cinema ocidental lhe é adequada e aos espectadores que enfrentam o artifício sem fechar os olhos algumas cenas impactantes o final podem mesmo ser surpreendentes.

Pontos Altos:
Obsessão dos asiáticos com artigos de tecnologia, narrativa picada que não entrega nada antes da hora, violência cotidiana
Pontos Baixos: Impossível assistir com um mínimo de sono

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Amor Sem Escalas (Up In The Air)

Diretor: Jason Reitman

Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Tamala Jones, Chris Lowell

Gênero: Drama/Comédia

Ano: 2009




Amor Sem Escalas é um título infame que traz à memória uma série de comédias românticas de pouca qualidade, felizmente a tradução preguiçosa não corresponde ao produto final do mais recente trabalho de Jason Reitman, diretor que chamou atenção de muita gente há pouco tempo atrás com o indie/pop Juno.
O filme não poderia ser mais contemporâneo, Ryan é um funcionário de uma empresa especializada em realizar cortes de pessoal, longe de ser uma auditoria imparcial que otimiza estruturas e processos o serviço dá conta de transformar no mais impessoal e sanitizado o processo de demissão.
Como ser demitido por alguém que não te conhece e tentar contra argumentar?
O trabalho de Ryan à primeira vista parece ser frio como o ofício de um executor ou cirurgião, a sistematização e a rotina ensaiada se estende a sua vida pessoal o que significa em última análise a ausência de laços de afeto e amarras sociais.
A crítica social em certo momento dá espaço para a comédia romântica e Amor Sem Escalas ganha muito em sua dramaturgia, o conteúdo conhecido em embalagem modernizada é bem conduzido pelo diretor que obtém de George Clooney sua melhor performance e de Vera Farmiga toda sua beleza magnética e talento.
A transformação do protagonista obviamente é esperada, mas ocorre de forma suave e sensível.
As comédias românticas tem se transformado ao longo dos tempos, protagonistas masculinos com características tipicamente femininas tem se debatido no universo masculino que antes parecia tão confortável.
Ponto pra Jason.

Pontos Altos: Edição, romance remixado para um novo tempo, filme bem situado em sua época
Pontos Baixos: Anna Kendrick

Sunshine Cleaning

Diretor: Christine Jeffs
Elenco: Amy Adams, Emily Blunt, Alan Arkin, Steve Zahn, Mary Lynn Rajskub, Clifton Collins Jr., and Jason Spevack
Gênero: Drama/Comédia
Ano: 2009




Amy Adams e Emily Blunt são duas das melhores atrizes de sua geração, além do talento é inegável a semelhança no biotipo, o que permitiu em Sunshine Cleaning uma relação entre irmãs muito mais verossímil, inclusive no conflito necessário para a formação do laço fraterno.
Rose e Norah poderiam ter um futuro melhor como suas colegas de colégio, as circunstâncias, no entanto, as levaram à margem da sociedade e do futuro brilhante e fantástico que algumas de suas amigas propagandeiam ou realmente tem.
Sem um casamento ou um emprego decente, a mãe solteira Rose ansiosa para dar uma boa vida ao filho tenta a sorte num ramo de trabalho pouco explorado e convida sua irmã para auxiliá-la: a limpeza de cenas de crimes.
O trabalho sujo e pouco valorizado lhes proporciona vislumbrar melhores condições de vida. Em meio a corpos pútridos, fluidos, sangue e outros dejetos a antiga líder de torcida Rose parece ter encontrado uma tarefa que é capaz de realizar à sua maneira e adequada as necessidades dos seus clientes.
A comédia indie de humor negro, não tem a luminosidade de Pequena Miss Sunshine com quem guarda outras diversas semelhanças, contudo, o filme é capaz de deixar aquela sensação boa de que tudo pode dar certo ao final e que há espaço para diversidade e personalidade na luta pela felicidade.
Adams e Blunt são atrizes que devem ser acompanhadas. Chance única de encontrá-las num mesmo título.

Pontos Altos: Feel good movie, Blunt & Adams boas de comédia e drama
Pontos Baixos: Nada que valha a pena ser mencionado

Contador de Histórias

Diretor: Luiz Villaça
Elenco: Maria de Medeiros, Marco Ribeiro, Paulo Henrique Mendes, Cleiton Santos, Malu Galli, Ju Colombo, Daniel Henrique da Silva
Gênero: Drama
Ano: 2009




Roberto Carlos Ramos é um dos dez maiores contadores de histórias do mundo, esqueça a surpresa de saber que existe tal ranking, O Contado de Histórias narra a interessante história de vida de Roberto.
A infância pobre, os abusos sofridos na recém criada Febem de Belo Horizonte, a vida nas ruas, o feliz momento em que cai nas graças de uma pedagoga francesa e brevemente sua vida adulta.
Roberto nunca teve uma vida fácil, sabendo do próprio problema o garoto sempre utilizou sua imaginação para embarcar num colorido escapismo, seu olhar especial sobre a realidade proporciona um toque mágico a cinebiografia do ex menino de rua.
Luiz Villaça cria um conto de fadas tupiniquim que é um
pout pourri de Oliver Twist, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e porquê não da própria Cinderela.
Apesar da história ter muitos momentos de violência (inclusive sexual), drogas e todos os piores problemas agravados pela pobreza o retrato de Roberto não é melodramático, é sim levemente crítico e pode gerar alguma reflexão.
Acima de tudo, O Contador de Histórias apresenta uma personalidade brasileira recebendo uma mais do que devida homenagem à sua contribuição na sociedade. Infelizmente o cinema não tem o mesmo destaque da televisão, mas quem sabe um dia o filme não chega lá?

Pontos Altos
: Toques de magia na pobreza, tudo tem conserto
Pontos Baixos: Perceber a transformação da Febem

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lunar (Moon)

Diretor: Duncan Jones
Elenco: Sam Rockwell, Kevin Spacey, Dominique McElligott, Rosie Shaw, Kaya Scodelario, Benedict Wong
Gênero: Ficção Científica
Ano: 2009



Numa época que ficção científica é sinônimo de CGI (computer generated images) e edição rápida e picotada, Moon a estreia do rebento de David Bowie na direção de um longa metragem é um alívio com tons nostálgicos.

Inspirado na ficção científica de filmes como Solaris e 200, Moon é um drama futurista no espaço.

Sam Bell é um astronauta designado a cumprir uma missão de 3 anos no lado escuro da Lua onde há exploração da energia do futuro o Hélio-3, prestes a alcançar o prazo de encerramento do seu contrato o solitário trabalhador que só tem como companhia um computador dotado de inteligência artificial começa a ter alucinações que culminam num acidente numa escavadeira.

Enquanto se recupera Sam descobre que não está mais sozinho na aeronave e uma jornada reveladora se inicia.

Duncan Jones utiliza poucos recursos com muita sabedoria, Moon é mais do que uma simples ficção científica, há drama, mistério, humor e crítica social.

Comovente e inteligente Moon enche de expectativas os próximos movimentos de Duncan Jones.


Pontos Altos: Walking on Sunshine, Sam Rockwell detonando, alguns efeitos especiais feitos com miniaturas

Pontos Baixos: Quem era aquela morena que apareceu e sumiu?

O Dragão Vermelho (Manhunter)

Diretor: Michael Mann
Elenco: William L. Petersen, Kim Greist, Joan Allen, Brian Cox, Dennis Farina, Stephen Lang, Tom Noonan
Gênero: Suspense
Ano: 1986



Thomas Harris criou um dos vilões mais importantes do cinema, o enigmático, brilhante e ultra perigoso Dr Hannibal Lecter, talvez o mais famoso psicopata da história do cinema, com presença mais marcante no premiado Silêncio dos Inocentes (1991) dirigido por Jonathan Demme e estrelado por Jodie Foster e Anthony Hopkins.

Hannibal teve outras aparições no cinema sem o mesmo sucesso e muitas de gosto duvidoso, a segunda melhor delas foi a de Dragão Vermelho dirigido por Bret Rattner (2002), porém este mesmo filme já havia sido rodado antes por Michael Mann em 1986, ou seja, antes do sucesso estrondoso de Silêncio dos Inocentes. Mann não teve muito sucesso nas bilheterias então ele e seu produtor resolveram não adaptar outros livros da série de Harris.

Em Manhunter o foco principal está no investigador Will Graham, um agente do FBI responsável pela captura do perigoso Lecter através de métodos muito próprios e não ortodoxos, ele consegue pensar como os criminosos que procura. Esse entendimento e a imersão na mente distorcida dos serial killers lhe permite suposições e intuições muito importantes nos casos em que se envolve lhe causando um grande incômodo psicológico como efeito colateral.

Michael Mann encena o suspense com uma dose certa de tensão, mas sem alguns detalhes mais assustadores que foram melhor abordados em Dragão Vermelho, em nenhum momento vemos as tatuagens do psicopata da “Fada dos Dentes” e não há tanta violência. Essas tatuagens eram essenciais!

Manhunter explora o terror psicológico e a tensão através da antecipação, o espectador está sempre esperando que algo aconteça.

Michael Mann aproxima sua visão do livro de Harris a um retrato menos idealizado e mais verossímil de um psicopata, as comparações com a adaptação mais recente não possibilitam a escolha por um ou pelo outro, há uma diferença importante de abordagem e execução.

Para os fãs de Silêncio dos Inocentes, Manhunter merece ser conferido. Michael Mann sabe o que está fazendo.


Pontos Altos: O jornalista sendo pego, o confronto final, interpretação acima da média de William L. Petersen

Pontos Baixos: Esse Hannibal não chega aos pés da versão de Silêncio dos Inocentes

Por Amor (Personnal Effects)

Diretor: David Hollander
Elenco: Ashton Kutcher, Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Spencer Hudson
Gênero: Drama
Ano: 2009




É ponto pacífico que 21 Gramas é definitivamente superior ao falar sobre as consequências das trágicas perdas pessoais, Por Amor segue a mesma tendência em investigar as carências e necessidades de pessoas traumatizadas e a relação fruto de uma vida destroçada..

Kutcher interpreta Walter, um rapaz que retorna a cidade natal após a morte violenta de sua irmã, abandonando a faculdade e trabalhando em bicos é forçado a comparecer a terapias de grupo com sua mãe, onde acaba conhecendo a também sofredora Linda vivida por Pfeiffer.

A pequena cidade onde se passa o filme jamais poderia ser chamada de paraíso, ao contrário é possível perceber que a leveza nunca esteve ali por muito tempo, as cores azuladas, as pessoas infelizes e a percepção de que nada de muito importante acontece apenas intensifica o complicado e mal digerido luto.

Por Amor é uma das primeiras tentativas sérias de Ashton Kutcher em um papel dramático, talvez aconselhado por agentes que o ensinaram que o terreno das comédias não é para todos por muito tempo, o fato é que o rapaz senão possui um talento extraordinário pelo menos tem uma interpretação correta, conseguindo imprimir personalidade ao seu introspectivo Walter.

Michele Pfeiffer já provou seu talento diversas vezes e poderia se beneficiar de alguns quilos extras, mas a beleza madura da loira ainda é atraente aos nossos olhos.

Por Amor é um drama trágico com uma dose correta de sobriedade. Não dói assistir.


Pontos Altos: Fotografia, esforço do Ashton, pouco esforço de Kathy Bates como sua mãe

Pontos Baixos: Fantasia de Galinha pra quê?