quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Série da Semana



True Blood é a nova sensação da televisão norte-americana, tanto sucesso se deve aos temas polêmicos tratados. Alan Ball mistura muita coisa e embrulha o pacote com muita nudez e corpos sarados.

Sookie é uma jovem (gostosa) do interior dos Estados Unidos que sofre por ter uma habilidade especial que lhe permite ler os pensamentos das pessoas ao seu redor. Tal desconforto é tão grande que ela desiste de encontrar um relacionamento.

Paralelamente a isso, japoneses descobrem um sangue artificial que possibilita trazer a público vampiros que antes escondidos agora podem viver em sociedade se alimentando do tal composto sem atacar humanos normais e até exigindo seus direitos civis.

Somemos o fato da telepatia com a impossibilidade de ler a mente de um homem "morto" e temos um romance!

Interior conservador + sexo com presas = Preconceito e Hipocrisia.

Vampiros sempre foram relacionados a uma imagem sensual e isso é utilizado com frequencia na série, humanos querem transar com vampiros e utilizar a droga V que é um estimulante e afrodisíaco, essa droga totalmente ilegal e controversa nada mais é que sangue de vampiro.

Diálogos toscos, piadas infames, situações ridículas e absurdas e personagens muito diversificados tornam a série kitsch muito divertida, mas não é possível levar absolutamente nada a sério.

Para quem tem humor e não tem medo da cafonice.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Longe do Paraíso (Far From Heaven)

Diretor: Todd Haynes

Elenco: Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis, James Rebhorn, Bette Henritze, Michael Gaston, Ryan Ward

Gênero: Drama

Ano: 2002







Longe do Paraíso é um drama norte-americano da década de 50, época de muito glamour, cigarros e valores especialmente conservadores. Um casal da sociedade vive um conflito extremamente devastador quando Cathy descobre que seu marido Frank a está traindo com outro homem, a dona de casa extremamente compreensiva tenta apoiar o marido amado a encontrar uma “cura” e obviamente sem sucesso acaba encontrando atenção e ouvidos gentis em seu jardineiro negro.

A amizade de Cathy com o jardineiro cria um clima de animosidade que afeta seus filhos e seu marido, em conflito com a realidade racista da época a simpática senhora se vê sem apoio, carinho e cada vez mais abandonada.

O amor proibido de Cathy mesmo não sendo concretizado é o suficiente para destruir a vida social de todos os envolvidos, dos negros aos brancos o suposto romance entre ambos parece afetar pessoalmente toda sociedade que reage rapidamente com toda crueldade possível.

Por outro lado, o marido em conflito tenta em vão se curar e seguidamente percebe que seus desejos não podem ser oprimidos, a família é a principal prejudicada já que Frank cada vez mais se afasta daquela realidade artificial que viveu por tanto tempo. Cathy não vê solução e como podemos prever não existe solução razoável para a época.

Assistir Longe do Paraíso é uma experiência reveladora, é impossível não notar os avanços sociais que a sociedade alcançou o que torna absolutamente perceptível que muitas pessoas sofreram para que houvesse algum esboço de possibilidade de igualdade de cidadania e oportunidade para mulheres, negros e homossexuais. Da obviedade da diferença e inferioridade desses grupos de poucas décadas atrás até o surgimento de movimentos expressivos de busca de direitos e afirmação muito tempo, sangue e lágrimas se passaram.

É indispensável citar a interpretação sempre acima da média de Julianne Moore que juntamente com os outros dois protagonistas Denis Quaid e Dennis Haysbert foram capazes de transmitir a atmosfera claustrofóbica e assustadora de um período extremamente difícil da vida à margem da sociedade.


Pontos Altos: Julianne Moore, o filme parece realmente dos anos 50, fotografia acima da média

Pontos Baixos: Ainda bem que essa época passou

I'm a Cyborg But That´s Ok (Saibogujiman Kwenchana)

Diretor: Park Chan-Wook

Elenco: Lim Su-Jeong, Rain, Choi Hie-Jin, Kim Byeong-Ok, Lee Yong-Nyeo, Oh Dal-Su, Yu Ho-Jeong

Gênero: Comédia Romântica

Ano: 2006






Park Chan-Wook é o famoso diretor coreano da premiada trilogia sobre vingança (Mr. Vingança, Lady Vingança e Oldboy), neste I´m a Cyborg But That´s Ok a violência não é o tema central, mas surge bem humorada e perfeitamente colocada no contexto do filme.

As imagens e fotografia são impressionantes e por si só valeriam assistir o longa, mas o roteiro inusitado do gracioso romance entre dois internos de um hospício e todos os complexos coadjuvantes supera até mesmo as imagens surreais e encantadoras de seus devaneios e delírios.

A loucura do sanatório conta com sua própria lógica de funcionamento e uma racionalidade que apesar de absurda faz todo sentido neste universo.

A protagonista acredita ser uma ciborgue, por isso conversa com máquinas, luzes e equipamentos eletrônicos, mas o que era inofensivo se torna um risco quando ela começa a crer que não pode ingerir comida “humana” sob o risco de destruir seu corpo robótico, aos poucos a jovem tenta perder suas características humanas e se envolve com um rapaz que acredita poder roubar as características (inclusive as que ela deseja perder) e o espírito dos outros.

Park Chan-Wook faz um trabalho primoroso de direção que encanta do início ao fim e mostra que um filme agradável pode ser criativo e inventivo.


Pontos Altos: A “ciborgue” atirando em todo mundo com a ponta dos dedos, imagens sensacionais, criatividade

Pontos Baixos: Não foi lançado no Brasil



As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian

Diretor: Andrew Adamson

Elenco: Liam Neeson, Warwick Davis, Ben Barnes, Peter Dinklage, William Moseley, Anna Popplewell, Georgie Henley, Skandar Keynes, Shane Rangi

Gênero: Aventura

Ano: 2008







Se não há genialidade ou originalidade em Príncipe Caspian, outras notáveis qualidades superam este problema na já consolidada franquia da Walt Disney. O épico juvenil e medieval sabiamente – ao contrário de A Bússola de Ouro, por exemplo - utiliza recursos de computação gráfica e argumentos comuns a outros bons roteiros de filmes do gênero.

Para os quatro irmãos pouco tempo se passou desde a aventura na encantada Nárnia, para seus moradores, no entanto, os séculos foram devastadores e a magia deste universo foi massacrada e oprimida pelo poderio dos telmarinos ou numa outra leitura o mágico foi vencido pelo real.

Obviamente os irmãos são convocados para juntamente com o príncipe Caspian enfrentar uma difícil e importante batalha.

É possível fazer relacionar o mundo mágico dos habitantes originais de Nárnia com o universo mítico infantil e o assustador mundo adulto, mas para o filme a resposta para o conflito é a luta e mundo mágico evidentemente deve vencer o inescrupuloso mundo dos homens sedentos por glória e poder.

Efeitos visuais bem executados rendem excelentes e marcantes cenas como a Feiticeira Branca em uma cortina de gelo e suas táticas de sedução pelo poder e todas as tomadas que envolvem Aslam, o leão (computadorizado) que ressuscitou tornando-se uma divindade que retira a efetividade do seu poder através da fé que lhe depositam.

Muitas são as referências e As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian sabe como as utilizar de forma correta e coerente.

Um filme que preza a moralidade, o bom comportamento e outras qualidades que os pais tanto gostariam de ver absorvidas pelos filhos.

Se o medieval educa e o entretenimento não está perdido o filme da Disney consolida sua participação no mercado cinematográfico através de uma grande e bem cuidada produção.


Pontos Altos: Efeitos especiais bem utilizados, universo mágico cheio de elementos, diversão sem apelação

Pontos Baixos: Atores mirins em sua maioria sem muito carisma e completamente esquecíveis


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Série da Semana


Six Feet Under (A Sete Palmos) é uma das grandes criações de Alan Ball que atualmente tem se destacado com a polêmica True Blood.
Foram cinco temporadas e a série que começou em 2001 com muito humor negro se tornou mais sombria e densa a cada ano.
Sem medo de ousadias diversos temas foram tratados e conflitos familiares alcançaram patamares altamente explosivos.
A família logo no início perde o pai, um diretor de uma funerária familiar que sustentava a todos. E muita coisa acontece desde a dramatização da morte do defunto em questão até a interação do mesmos com alguns dos personagens de mente mais imaginativa.
Em Six Feet.. os mortos ganham sua voz e adoram dar palpite.
Com um dos mais marcantes episódios finais feitos até hoje a série deixou sua marca profunda no drama em mais uma produção de extrema qualidade da HBO.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cinderela em Paris (Funny Face)

Diretor: Stanley Donen
Elenco: Fred Astaire, Audrey Hepburn, Kay Thompson, Michel Auclair, Robert Flemyng, Dovima, Virginia Gibson, Sue England, Ruta Lee, Alex Gerry
Gênero: Musical
Ano: 1957






Cinderela em Paris é uma comédia romântica e um musical ao mesmo tempo e como já diz a tradução brasileira é um conto de fadas moderno (pelo menos para época) onde uma jovem intelectual que trabalha numa livraria conhece um fotógrafo de moda que realiza seu sonho de viajar para Paris ao transformá-la numa modelo de uma grande revista.
As performances musicais, a graciosidade da dupla de protagonistas, a irreverência da personagem de Kay Thompson e não menos importante o cenário parisiense são os elementos que definem Cinderela em Paris como um musical atemporal e extremamente agradável de ser visto.
Fred Astaire tem uma de suas mais inspiradas interpretações e seus quase 60 anos não parecem ser capazes de diminuir seu ritmo, a jovem Audrey Hepburn encantadora como sempre (foi) não tem os mesmos talentos, porém o filme como um todo supera qualquer tipo de comparação que possa ser feita entre ambos.
Quem aprecia um bom musical não deve perder esse divertido clássico.

Pontos Altos: Performances bonitinhas, história bobinha e leve, Fred Astaire mostrando quem comanda
Pontos Baixos: Tomadas aéreas de Paris feitas com o pé do saci

Ônibus 174

Diretor: José Padilha
Gênero: Documentário
Ano: 2002









Extremamente familiar a tragédia do ônibus 174 ocorrida em junho de 2000 no Rio de Janeiro é tema do documentário de Padilha que não se limita em apresentar para um público estrangeiro os fatos ocorridos, o seu objetivo e mérito é exibir todos os lados da história e talvez tão ou mais importante quanto a história de vida de Sandro o "bandido" ex menino de rua e sobrevivente da mundialmente famosa Chacina da Candelária.
A imparcialidade é hipotética, o documentário de José Padilha tem objetivos claros e tal qual a construção de uma argumentação acadêmica ele chega ao término conseguindo provar uma tese que transforma aquele momento numa equação quase que matemática.
E o fato é que Ônibus 174 é um alerta, a enorme desigualdade social somada ao despreparo policial e uma pontinha de fascismo da sociedade em geral são os fatores que permitem chacinas sem culpados, assassinatos gratuitos e a morte televisionada e festejada.
Dois fatores são marcantes um deles é o circo midiático no qual os personagens querem ficar pra história de alguma forma e outro como a população está sempre preparada para agir em nome da “justiça”, o linchamento por pouco não acontece sob as lentes das câmeras e suas transmissões "ao vivo".
Padilha criou seu filme a partir de imagens da imprensa oficial, depoimentos de policiais, meninos de rua, parentes, vítimas e testemunhas e a “verdade” desses elementos trazem uma grande contundência que prova a tese de Padilha.
É tudo uma questão de tempo ou oportunidade, os elementos para uma avalanche de violência são mais do que evidentes e varrer para debaixo do tapete não parece das melhores soluções.

Pontos Altos: Prova de que nada é casual, trabalho extenso de pesquisa
Pontos Baixos: Má qualidade de grande parte das imagens do evento real se torna cansativa para a narrativa