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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)

Diretor: George Clooney
Elenco: David Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Frank Langella, Jeff Daniels, Ray Wise, Reed Diamond
Gênero: Drama
Ano: 2005




Talvez um dos últimos exemplares de jornalismo crítico e independente americano o episódico confronto entre o jornalista Edward R. Murrow e o Senador Joseph McCarthy foi uma emocionante batalha entre a tão celebrada liberdade de opinião americana contra um suposto “terrorismo” contido no rótulo comunista severamente combatido na década de 50 nos Estados Unidos.
Acompanhado de uma excelente trilha sonora Boa Noite, Boa Sorte, o primeiro (e pequeno) filme de George Clooney na direção é uma excelente estreia do famoso galã de Plantão Médico.
Utilizando cenas reais e dramatizações o embate entre a única emissora a ousar questionar o método de um político aclamado é surpreendentemente excitante, algo bem difícil de se conseguir com a mistura entre política e jornalismo.
McCarthy lembra muito a Era Bush, em nome de seus objetivos escusos, mentiras são propagandeadas com falsas evidências, poder público é manipulados a todo momento, sem a mínima preocupação em ser um pouco coerente.
Os jornalistas da CBS unidos em seu esclarecido pensamento político, através da lógica dos fatos se empenharam em desacreditar o Senador entre seus eleitores e também frente ao próprio Estado americano. Uma batalha apaixonada de homens descontentes contra a decadente e inescrupulosa política oficial.
Boa Noite e Boa Sorte é um alerta para representantes do governo americano, o controle da mídia é muito importante para se obter o apoio das massas e carregar os jovens cheios de ideais para enfrentamentos cujos interesses são em sua grande maioria econômicos.
Recentemente a FOX americana se tornou alvo ao questionar a política de Obama, com propriedade ou não, há ainda algum resíduo de independência nos bastidores do jornalismo yankee.

Pontos Altos
: Trilha obviamente, David Strathaim comanda
Pontos Baixos: Final abrupto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona

Diretor: Woody Allen

Elenco: Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Rebecca Hall, Chris Messina, Patricia Clarkson, Carrie Preston

Gênero: Comédia/Drama

Ano: 2008








As amigas americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlet Johansson) decidem passar férias de verão em Barcelona, cada uma com seus interesses específicos e personalidades completamente opostas, mas se apaixonam pela cidade e terminam envolvidas em algo mais perigoso que um triângulo amoroso.

Woody Allen retorna a boa forma perdida desde Match Point nos apresentando um complexo, bem humorado e extremamente interessante “quadrado amoroso”.

A pragmática Vicky faz um perfeito contraponto a aventureira e romântica Cristina, mas aos poucos é possível notar que estas mulheres não são tão diferentes assim e tem os mesmos desejos, a aventura de verão é algo que lhes agrada de maneiras distintas, mas que no final se torna apenas uma experiência de vida.

A outra parte do quadrado é formada por Juan Antonio (Javier Bardem) e sua ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz) um casal que se completa de várias formas e que não consegue conviver pacificamente por mais que dez minutos.

Os quatro elementos e seus variados graus de neurose, criatividade, paixão e sonhos se envolvem de maneira surpreendente, a relação é desenhada de uma forma que Woody Allen domina com maestria acrescida de uma crítica ao american way of life e do próprio mundinho criativo da classe artística.

Os atores interpretam seus apaixonados personagens com uma grande entrega que é evidente e traz uma grande veracidade a toda situação. É provável que se inicie uma nova série de parcerias de atores com o diretor que não se esquece de seus “preferidos”.

Scarlet Johansson tão aclamada atualmente não é dos maiores destaques e já começa a se tornar um elemento duvidoso nos filmes de Allen. A musa de lábios carnudos nada mais é que um chamariz para atrair marmanjos aos cinemas além de agradar os olhos do próprio Woody Allen.


Pontos Altos: Penélope Cruz e Rebeca Hall neuróticas e furiosas, a proposta cara de pau de Juan Antonio, o belo cenário

Pontos Baixos: Narração em off irritante apresentando os personagens e detalhando as cenas, Scarlet boneca inflável Johansson tire férias dos cinemas por favor

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Longe do Paraíso (Far From Heaven)

Diretor: Todd Haynes

Elenco: Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis, James Rebhorn, Bette Henritze, Michael Gaston, Ryan Ward

Gênero: Drama

Ano: 2002







Longe do Paraíso é um drama norte-americano da década de 50, época de muito glamour, cigarros e valores especialmente conservadores. Um casal da sociedade vive um conflito extremamente devastador quando Cathy descobre que seu marido Frank a está traindo com outro homem, a dona de casa extremamente compreensiva tenta apoiar o marido amado a encontrar uma “cura” e obviamente sem sucesso acaba encontrando atenção e ouvidos gentis em seu jardineiro negro.

A amizade de Cathy com o jardineiro cria um clima de animosidade que afeta seus filhos e seu marido, em conflito com a realidade racista da época a simpática senhora se vê sem apoio, carinho e cada vez mais abandonada.

O amor proibido de Cathy mesmo não sendo concretizado é o suficiente para destruir a vida social de todos os envolvidos, dos negros aos brancos o suposto romance entre ambos parece afetar pessoalmente toda sociedade que reage rapidamente com toda crueldade possível.

Por outro lado, o marido em conflito tenta em vão se curar e seguidamente percebe que seus desejos não podem ser oprimidos, a família é a principal prejudicada já que Frank cada vez mais se afasta daquela realidade artificial que viveu por tanto tempo. Cathy não vê solução e como podemos prever não existe solução razoável para a época.

Assistir Longe do Paraíso é uma experiência reveladora, é impossível não notar os avanços sociais que a sociedade alcançou o que torna absolutamente perceptível que muitas pessoas sofreram para que houvesse algum esboço de possibilidade de igualdade de cidadania e oportunidade para mulheres, negros e homossexuais. Da obviedade da diferença e inferioridade desses grupos de poucas décadas atrás até o surgimento de movimentos expressivos de busca de direitos e afirmação muito tempo, sangue e lágrimas se passaram.

É indispensável citar a interpretação sempre acima da média de Julianne Moore que juntamente com os outros dois protagonistas Denis Quaid e Dennis Haysbert foram capazes de transmitir a atmosfera claustrofóbica e assustadora de um período extremamente difícil da vida à margem da sociedade.


Pontos Altos: Julianne Moore, o filme parece realmente dos anos 50, fotografia acima da média

Pontos Baixos: Ainda bem que essa época passou

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A Garota Ideal (Lars And The Real Girl)

Diretor: Craig Gillespie
Elenco: Ryan Gosling, Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Kelli Garner, Paul Schneider.
Ano: 2007
Gênero: Comédia/Drama






Lars (Ryan Gosling) é um rapaz estranho, solitário e introvertido que mora na garagem da casa que ele e seu irmão herdaram de seu pai enquanto seu irmão e esposa moram na residência principal.
Mas as coisas mudam quando o complicado jovem compra uma boneca de silicone através da internet e a apresenta para a família e sociedade como sua namorada, ele se relaciona com ela de forma respeitosa e com todo afeto.
Aparentemente o rapaz acredita que ‘Bianca’ sua namorada é brasileira/dinamarquesa, é religiosa e possui uma deficiência motora entre outras características humanas.
Perplexos com a situação, seu irmão Gus (Paul Schneider) e sua esposa Karin (Emily Mortimer) procuram a médica da família Dagmar (a excelente Patricia Clarkson) e levam Lars com Bianca para uma consulta.
Aconselhados pela médica a aceitar a situação sua família tenta interagir com Bianca tal qual Lars.
Aos poucos com uma naturalidade que rende momentos muitos engraçados a namorada de Lars participa de todos os tipos de eventos da pequena cidade e é acolhida por todos como se de fato fosse uma mulher, com agenda lotada e vontade própria.
A ilusão de Lars é acompanhada de perto pela médica que começa um ‘tratamento’ com Bianca para se aproximar do rapaz. É principalmente nesse relacionamento que se percebe que a humanização da boneca não acontece por acaso, através dela Lars consegue expressar seus sentimentos e problemas íntimos e finalmente lidar com eles de forma mais aberta.
Ryan Gosling é um ótimo ator e domina o filme, além de cativar o espectador de forma irresistível.Assistam, riam e sem emocionem.


Pontos Altos: Bianca ‘contando’ histórias para crianças, Ryan ‘absurdamente bom’ Gosling
Pontos Baixos: Nem tem