sábado, 19 de dezembro de 2009

Informers - Geração Perdida (The Informers)

Diretor: Gregor Jordan
Elenco: Billy Bob Thornton, Kim Basinger, Mickey Rourke, Winona Ryder, Amber Heard, Rhys Ifans, Brad Renfro, Jon Foster
Gênero: Drama
Ano: 2009






Bret Easton Ellis é um dos porta vozes do vazio da década de 80, sobre este período também foi adaptado para o cinema com muita competência seu romance Psicopata Americano, infelizmente sua participação no roteiro de Os Informantes não alcança o mesmo resultado do cultuado filme dirigido por Mary Harron.
Em Os Informantes diversos personagens interligados de alguma forma se aprofundam numa não existência preenchida por sexo, drogas, crimes, traições e música, o título erroneamente nos levar a crer que se trata de um thriller policial, porém nada mais é que o nome de uma banda de música pop cujo vocalista na maioria do tempo não sabe onde está e aparentemente nem onde já esteve.
Gregor Jordan descreve um cenário de um período de ressaca permanente de uma festa que não nos foi apresentada, belos rostos e corpos mergulham em sexo e cocaína para tentar sentir um prazer que parecem não conseguir em tempo algum, não existe um único momento de felicidade e aparentemente ela nunca foi possível.
A caracterização de época é bem produzida, no entanto, há uma exagerada beleza plástica de alguns personagens algo contraditório afinal quem dorme durante o dia e abusa de drogas, sexo e álcool à noite não consegue ter um corpo malhado e uma pele bonita.
Curioso também notar que 90% dos personagens usam o mesmo modelo de óculos escuros de uma famosa marca, o que praticamente caracteriza um anti-merchandising.
Nem o terrível surgimento de uma nova doença do contexto histórico da época foi capaz de trazer alguma relevância a este filme niilista e absolutamente dispensável, o vazio por si só não tem efeito sem algum tipo de crítica.
O filme sofre do mesmo problema que seus personagens, não há conteúdo nem história a ser contada e não existe nada a ser perdido quando não se tem nada. O argumento é suficiente para chegarmos a conclusão de que não há um filme.

Pontos Altos: Winona Ryder ainda existe
Pontos Baixos: Década perdida te fazendo perder seu tempo, qual é a história?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Garota Infernal (Jennifer's Body)

Diretor: Karyn Kusama

Elenco: Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, J.K. Simmons

Gênero: Terror/Comédia

Ano: 2009







Diablo Cody surgiu publicamente no Oscar 2008, Juno, seu roteiro de estreia mudava a perspectiva sobre a gravidez na adolescência ao enquadrar um viés menos trágico e dramático neste problema que aflige muitas garotas por todo mundo, o retrato feminista indie/pop alçou a roteirista ao estrelato e lhe possibilitou a criação de sua própria série de televisão, uma parceria em gestação com Spielberg e finalmente o lançamento de seu segundo filme Garota Infernal.

Se Juno foi quase uma unanimidade o mesmo dificilmente pode ser dito sobre este último, a começar pela escolha da protagonista que não possui o mesmo talento ou carisma de Ellen Page, Megan Fox amplia nas telas o estereótipo que lhe tornou famosa em Transformers, suas caras, decotes e bocas são o seu grande e único atrativo, será?

A sinopse de Garota Infernal é simples, Jennifer e Needy são amigas de infância e apesar disso muito diferentes, a primeira é a garota fatal, desagradável com todos e líder de torcida, a segunda tem um visual pouco atrativo, um comportamento responsável e comum, a tradução literal de seu nome inclusive é “carente” e de forma bem mais pejorativa que em nossa língua.

Jennifer se torna o pior pesadelo de sua amiga e de alguns rapazes quando submetida a um ritual satânico ressuscita com um demônio dentro de seu corpo cujo comportamento se assemelha a um vampiro e na prática funciona como uma fera canibal.

A femme fatale subitamente seduz os tipos menos prováveis da escola para lanchá-los (metáfora sexual e óbvia), procedimento que sua melhor amiga logo percebe e inicia uma guerra entre a piranha e a certinha.

Diablo Cody pretendia criar uma alegoria sobre a chegada feminina à maturidade utilizando o terror, sangue e comédia como embalagem, algo que a maioria dos adolescentes adora assistir. De fato temos muito mais exemplos no cinema do outro lado da moeda, no entanto, a execução e o desenvolvimento do roteiro são extremamente deficientes.

Para começar, Karyn Kusama não consegue estabelecer o esperado clímax e anti-clímax que são aguardados no gênero, seus efeitos especiais são quase amadores e a relação entre as duas personagens principais demora a se tornar minimamente emocionante.

É terror sim, porém ainda falta verdade nos conflitos, como pode a jovem mais popular ser inversamente confiante e precisar tanto de uma amiga considerada tão patética? E ainda, porque um tratado sobre o crescimento feminino mais parece uma representação da dualidade sexual feminina?

Para Diablo Cody, Jennifer funciona como um ícone da transformação da adolescente em mulher, algo assustador, misterioso, poderoso e que deve intimidar até ser superado. Uma interpretação dessas pode até causar certo interesse, não se enganem.


Pontos Altos: Algumas piadinhas sobre a cultura pop, Cenas nos créditos finais

Pontos Baixos: Roteiro ruim, direção de elenco capenga, efeitos especiais assustadoramente terríveis

A Mulher Invisível

Direção: Cláudio Torres

Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Maria Manoella, Vladimir Brichta, Fernanda Torres, Paulo Betti, Lúcio Mauro

Gênero: Comédia Romântica

Ano: 2009







Famosa pela qualidade das novelas a produção cultural de massa brasileira também já pode ser considerada um sucesso no gênero da comédia, tal quais as novelas os filmes que envolvem de alguma forma a Rede Globo de comunicação tem inquestionavelmente qualidade técnica e pouca inventividade, praticamente um pré-requisito do gênero.

Apesar de a maioria destes filmes terem um visual de especial da Globo o elenco e as situações tem uma grande competência em envolver e divertir o espectador que afinal de contas está ali sentado no cinema ou na sala para se divertir e não para refletir sobre a vida.

A Mulher Invisível aborda o universo masculino na travessia da desilusão amorosa, um pé na bunda pode ser curado por outra paixão e aqui tem um intervalo curioso onde uma mulher perfeita que não existe proporciona tudo que um homem gostaria, a imaginação é a solução para solidão.

Pedro é o homem desiludido que sofre dos delírios que constrangem seus amigos e Amanda a mulher ideal que habita o imaginário masculino: gosta de futebol, faxina e sexo.

Os personagens secundários não são bem desenvolvidos, porém ganham a cena quando aparecem, principalmente Fernanda Torres que apaga totalmente a personagem de Maria Manoella a vizinha que nutre uma paixão platônica pelo romântico Pedro, questão simples de talento na interpretação.

A Mulher Invisível é uma comédia simples com uma dose de fantástico e um desfecho um pouco inesperado, o grande sucesso de bilheteria é justificado pelo apelo popular de seu elenco e ganha muito em qualidade em relação a franquia de Se Eu Fosse Você.

A comédia é o blockbuster tupiniquim.


Pontos Altos: Selton Mello, Fernanda Torres e o estrabismo de Vladimir Brichta, final diferenciado

Pontos Baixos: Maria Manoella não convence