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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sherlock Homes

Diretor: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Kelly Reilly
Gênero: Aventura
Ano: 2009





Sherlock Holmes e sua frase “Elementar, meu caro Watson” se consagrou como um dos mais famosos detetives da ficção policial, suas suposições baseadas na observação científica e na inteligência abstrata foram capazes de solucionar os casos mais misteriosos e complexos já criados.
Guy Ritchie renova à sua forma a clássica literatura transformando o detetive e seu parceiro em mais um subproduto dos filmes de submundo do crime, uma especialidade do ex marido de Madonna.
O antes formal Sherlock Holmes se torna então um viciado em heróina cuja dor de cotovelo por ter sido abandonado lhe dá forças para levantar-se da cama e solucionar os mistérios de Londres e tentar recuperar sua antiga vida.
A descrição acima, embora não explícita, é perfeita para explicar a transformação que Ritchie fez no mais respeitável detetive da literatura, obviamente era esperado que o diretor tirasse de Holmes todo seu ar enfadonho, mas não que se tornasse um anti-herói de comportamento “ligadão” e ressentido pelo abandono do seu “amigo” Watson que pretende se casar.
Sherlock Holmes e Dr. Watson trocam farpas e declarações não muito discretas por toda a película, sim Watson parece ter largado seu amante pela noiva Lucy e Holmes não pretende aceitar a nova situação sem lutar.
A presença de duas mulheres como pares românticos dos heróis não é suficiente para cobrir as evidências do romance: o “nosso” cachorro, um único quarto com cama de casal e toda a “nossa casa e vida juntos”.
Obviamente todos essas evidências poderiam ser meros detalhes caso a história de Sherlock Holmes tivesse algum brilhantismo ou fosse de alguma forma inovadora. Não há nada de novo aqui além das brigas do casal.
Falta agora Ritchie dirigir um longa da franquia Batman e entregar a todos a verdadeira relação entre Batman e Robin.
Parece que o último filme criativo de Guy Ritchie foi mesmo Snatch – Porcos e Diamantes.

Pontos Altos
: Uma das melhores cenas de explosão já filmadas
Pontos Baixos: Personagens clássicos perdendo a identidade

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Bom Homem (Good)

Diretor: Vicente Amorim
Elenco: Viggo Mortensen, Jason Isaacs, Jodie Whittaker, Mark Strong, Steven Mackintosh, Gemma Jones
Gênero: Drama
Ano: 2008



O nome do diretor de Um Bom Homem pode parecer destoante em relação ao elenco, o pouco conhecido Vicente Amorim talvez tenha algum favorecimento pelo seu parentesco direto com Celso Amorim um dos mais renomados ministros brasileiros. Os trabalhos anteriores de Amorim não justificam a entrega em suas mãos de um roteiro estrangeiro e o resultado de sua direção infelizmente não é uma boa surpresa.
Um Bom Homem se passa no período anterior e corrente do crescimento do poder de Hitler na Alemanha, seu protagonista um intelectual universitário representa o cidadão comum que aparentemente de boa índole se envolve e participa dos horrores do nazismo, essa transformação é um fenômeno dos mais importantes na história da humanidade.
Muitos autores nas Ciências Sociais se debruçaram calorosamente sobre esta discussão, isso poderia ocorrer no cinema, mas o filme não aproveita de uma boa forma esta participação polêmica do cidadão comum na banalização da violência e ódio, Viggo Mortensen em uma intepretação automática não auxilia no desenvolvimento da trama, ao mesmo tempo em que poucos personagens conseguem imprimir alguma personalidade as suas interpretações.
Para quem procura algo nos mesmos moldes, mas com qualidade assista O Leitor.

Pontos Altos: Reconstituição de época
Pontos Baixos: Romance que virou musical que virou filme que virou um desastre

quinta-feira, 12 de março de 2009

Rede de Mentiras (Body of Lies)

Diretor: Ridley Scott

Elenco: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Vince Colosimo, Carice van Houten, Ali Suliman, Ben Youcef, Michael Gaston

Gênero: Ação/Drama

Ano: 2008








Não há nenhuma novidade na abordagem sobre a ação americana no Oriente Médio em Rede de Mentiras: agentes infiltrados que plantam provas pra alcançar seus objetivos, agências de segurança que não sabem exatamente com o que estão lidando, explosões, tiroteios, tortura, mal entendidos e um pouco de romance impossível pra arrematar a fórmula.

Ridley Scott é um diretor competente e isso não se discute, porém este último filme abusa das redes, informações, personagens, alianças e traições. Tudo isso poderia ser traduzido em ação frenética e um roteiro dinâmico, mas aos poucos a ação de Rede de Mentiras e todo seu intrincado roteiro se tornam enfadonhos proporcionando deliciosos cochilos, ao despertar você notará que nada mudou e irá continuar assistindo.

Recuperado de seu sono induzido é possível apreciar a interpretação de uma visão crítica de um agente da CIA que nos é oferecida por Russel Crowe, um homem de palavras, arrogância e soluções precipitadas que insiste em colocar seu agente de campo nas piores situações.

Do outro lado Leonardo DiCaprio repete a fórmula Bourne de ação ao dar vida a um anti-herói que aparentemente sabe com que está lidando e não subestima seu inimigo, fora sua metodologia duvidosa ele acredita no seu trabalho e tem um bom coração.

Rede de Mentiras é mais um filme da extensa lista cinematográfica de críticas a ocupação, invasão e destruição do Iraque apesar de se passar na Jordânia, a indiscutível péssima idéia americana se não trouxe vantagens para ninguém pelo menos rendeu muito ao cinema.

Preparado para mais um filme desses?


Pontos Altos: Russel Crowe, cenas de imagens de satélite bem interessantes

Pontos Baixos: Duas horas que parecem três, tema saturado

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Rocknrolla - A Grande Roubada (Rocknrolla)

Diretor: Guy Ritchie

Elenco: Gerard Butler, Gemma Arterton, Jamie Campbell Bower, Jeremy Piven, Thandie Newton, Tom Wilkinson, Mark Strong, Idris Elba, Ludacris, Tom Hardy

Gênero: Ação

Ano: 2008







Rocknrolla é o aguardado retorno a boa forma de Guy Ritchie, e por isso entenda-se a volta ao tema em que foi reverenciado, o universo britânico do crime com uma dose balanceada de humor.

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes o seu melhor título até hoje é a fonte inspiradora para este filme de ação recheado de efeitos especiais espertos, tomadas de câmera criativas, personagens carismáticos, traições, uso de drogas e excelente trilha sonora.

Guy Ritchie possui uma grande familiaridade com o tema e o desenvolve de maneira bem humorada o que inevitavelmente resulta num filme razoavelmente interessante e divertido, mas aparentemente a ousadia na forma não supera a repetição de conteúdo e Rocknrolla é apenas uma cópia pouco atualizada de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch.

Apesar do caráter genérico de seu filme o retorno pode demonstrar uma redefinição na controversa carreira do diretor. Consideremos que um retorno com mais do mesmo pode ser melhor que um fracasso retumbante.

O roteiro que não envolve até é superado em alguns momentos pelas interpretações extremamente magnéticas do jovem Mark Strong e do tarimbado Tom Wilkinson. O elenco afinado desenvolve com espontaneidade o clima de história em quadrinhos da película que deve agradar aos fãs de Ritchie.

Aguardemos o próximo filme na esperança da mudança.

Hey Mr Ritchie, please change the record!



Pontos Altos: Os capangas russos imortais, as gracinhas do Handsome Bob, cenas boas de porrada

Pontos Baixos: O inferno é a repetição

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Oliver Twist

Diretor: Roman Polanski
Elenco: Ben Kingsley, Barney Clark, Jamie Foreman, Harry Eden, Leanne Rowe, Lewis Chase, Edward Hardwicke, Jeremy Swift, Mark Strong
Gênero: Drama
Ano: 2005






O clássico de Charles Dickens com o famoso órfão da literatura recebe mais uma adaptação, desta vez é Roman Polanski, o diretor de O Pianista, quem leva o romance ao cinema.
Um drama na Londres do século XIX com crianças fumando, bebendo e sofrendo violência física e verbal que não consegue, no entanto, transmitir os terrores da época vividos pelo jovem Oliver Twist e imprimir veracidade no clima assustador da cidade.
As qualidades técnicas inegáveis não foram acompanhadas pelas interpretações que pecam pela falta de emoção. O próprio Oliver Twist é um dos personagens mais passivos na história do cinema parecendo em muitos momentos um manso cãozinho e não uma criança que sofre tantas agressões.
Com interpretações que não convencem, é impossível acreditar que aquilo está de fato acontecendo, sem peso dramático o enredo se transforma num filme sem vida e longo demais, talvez esse seja o sintoma de um elenco carregado de tantos atores infantis que normalmente não são capazes de atuar tão bem quanto os adultos.
Um filme correto, porém sem vida.

Pontos Altos: Fotografia
Pontos Baixos: Faltaram urgência e emoção no trato do tema