quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Oliver Twist

Diretor: Roman Polanski
Elenco: Ben Kingsley, Barney Clark, Jamie Foreman, Harry Eden, Leanne Rowe, Lewis Chase, Edward Hardwicke, Jeremy Swift, Mark Strong
Gênero: Drama
Ano: 2005






O clássico de Charles Dickens com o famoso órfão da literatura recebe mais uma adaptação, desta vez é Roman Polanski, o diretor de O Pianista, quem leva o romance ao cinema.
Um drama na Londres do século XIX com crianças fumando, bebendo e sofrendo violência física e verbal que não consegue, no entanto, transmitir os terrores da época vividos pelo jovem Oliver Twist e imprimir veracidade no clima assustador da cidade.
As qualidades técnicas inegáveis não foram acompanhadas pelas interpretações que pecam pela falta de emoção. O próprio Oliver Twist é um dos personagens mais passivos na história do cinema parecendo em muitos momentos um manso cãozinho e não uma criança que sofre tantas agressões.
Com interpretações que não convencem, é impossível acreditar que aquilo está de fato acontecendo, sem peso dramático o enredo se transforma num filme sem vida e longo demais, talvez esse seja o sintoma de um elenco carregado de tantos atores infantis que normalmente não são capazes de atuar tão bem quanto os adultos.
Um filme correto, porém sem vida.

Pontos Altos: Fotografia
Pontos Baixos: Faltaram urgência e emoção no trato do tema

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Reis da Rua (The Street Kings)

Diretor: David Ayer
Elenco: Keanu Reeves, Hugh Laurie, Forest Whitaker, Chris Evans, Amaury Nolasco, Terry Crews, Common, Naomie Harris
Gênero: Drama/Policial
Ano: 2008







Os Reis da Rua é um filme com tantos defeitos que é uma tarefa ingrata escrever algo sobre o mesmo.
Um drama com vários clichês que juntos não funcionam e até podem causar certo asco, um policial (Keanu Reeves em mais uma interpretação insípida) que perde a mulher numa morte violenta se tornando um justiceiro encoberto por um chefe de polícia (Forest Whitaker sem grandes novidades) com senso de justiça duvidoso, um corregedor que os “persegue” interpretado por Hugh Laurie (sim, o próprio Dr. House que não interpreta outro personagem mesmo mudando o tema).
Os clichês: muito sangue, tiroteio, traições, corrupção, discussões éticas e reviravoltas improváveis.
Os Reis da Rua ao menos aparentemente defende uma polícia fascista, comprometendo uma possível crítica a um sistema de segurança falho ao transformar um justiceiro dopado num herói. Se apenas a violência pode resolver as injustiças, o filme avalia a existência de um sistema judiciário e legislativo como algo extremamente desnecessário senão prejudicial à realização de justiça.
Além de um roteiro tendencioso onde é até possível se afeiçoar ao policial interpretado por Keanu Reeves, a sucessão de clichês traz uma atmosfera de deja vu indiscutível num filme que representa de forma alegórica a atual política internacional norte-americana com seus abusos de poder e sua visão absolutista do mundo.

Pontos Altos: Tiroteios bem dirigidos
Pontos Baixos: Atuações em geral, roteiro previsível

Cinturão Vermelho (Redbelt)

Diretor: David Mamet
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Tim Allen, Emily Mortimer, Alice Braga, Joe Mantegna, Rodrigo Santoro, Max Martini, Jose Pablo Cantillo, Ricky Jay
Gênero: Drama
Ano: 2008







Cinturão Vermelho é um filme que quase marca, é quase bom, quase original. Com um tema aparentemente desinteressante o longa cria interesse em seu decorrer, mas decepciona imensamente em seus momentos finais.
O jiu-jitsu tão bem representado pela Família Gracie aqui de nosso país é o pano de fundo do filme que apesar de uma crescente interessante de tensão, traições e reviravoltas têm um dos desfechos mais desinteressantes e inesperados já filmados na história do cinema. O filme acaba e o espectador fica ali sentado estupefato com os créditos finais.
A maioria das cenas são bem dirigidas, mas a ligação entre elas não é clara devido a um roteiro descuidado e nada coeso. Parece mais um problema de edição do que direção, mas isso nunca saberemos ao certo.
Alice Braga é a coadjuvante, a esposa brasileira do malsucedido professor (Chiwetel Ejiofor) que se recusa a abandonar os preceitos de honra e ética da arte marcial que ensina em sua academia.
Interpretações boas, no entanto não salvam Cinturão Vermelho de um final atrapalhado e seu anticlímax.

Pontos Altos: Emily Mortimer e Chiwetel Ejiofor e suas boas interpretações
Pontos Baixos: Faltou um pedaço do filme?

The Rocky Horror Picture Show

Diretor: Jim Sharman
Elenco: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Bostwick, Richard O'Brien, Patricia Quinn, Little Nell, Jonathan Adams, Peter Hinwood
Gênero: Musical
Ano: 1975






The Rocky Horror Picture Show é um musical extremamente subversivo que mistura ficção científica e comédia com músicas fantásticas e muita polêmica.
Roteiro não é das maiores preocupações de Jim Sharman, tampouco excelência técnica, as qualidades de The Rocky Horror Picture Show se fundamentam no humor ácido e crítico, referências a filmes antigos de ficção científica e a abordagem natural de temas polêmicos como transexualidade, incesto, homem objeto, virgindade, canibalismo entre outros.
A diversidade de temas é aparentemente excessiva, mas a execução de forma bem humorada e caricata de músicas incrivelmente bem interpretadas leva o filme a um status instantâneo de clássico do gênero. Uma ópera rock colorida e absurda.
O filme inglês essencialmente transgressor tem um tom de originalidade que dificilmente se repetiria nos dias de hoje devido ao receio dos grandes estúdios na abordagem de temas polêmicos e a epidemia do politicamente correto tão em evidência.
Em sua estréia a recepção não foi das melhores, mas até hoje The Rocky Horror Picture Show possui seguidores fiéis e fãs que apreciam seu caráter inovador e seu humor extremamente divertido, absurdo e audacioso.


Pontos Altos: Grandes atores interpretando completamente à vontade, músicas marcantes, muita polêmica
Pontos Baixos: Cenas musicais entediantes pré-chegada no castelo, final moralizante e baixo-astral

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Controle Absoluto (Eagle Eye)

Diretor: D.J. Caruso
Elenco: Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson, Billy Bob Thornton, Ethan Embry, William Sadler, Eric Christian Olsen
Gênero: Ação
Ano: 2008







Controle Absoluto é um sucesso de bilheteria porque filmes de ação usualmente têm público garantido, talvez seja essa a única explicação para a bilheteria tão expressiva de um filme que não inova em absolutamente nada e aborda o já aborrecido tema do (cyber) terrorismo.
D.J. Caruso já havia trabalhado com Shia LaBeouf em Paranóia, a bola da vez das produções de ação, filme esse que vem sendo acusado de plágio deslavado de Janela Indiscreta de Hitchcock. É desnecessário dizer que Caruso não é Hitchcock tampouco Steven Spielberg e isso é algo evidente em seus filmes.
Controle Absoluto bebe da fonte de filmes como 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Minority Report e a Trilogia Bourne, tais películas além de serem ousadas e criativas, de alguma forma tiveram um “elemento surpresa” e não se pode dizer o mesmo do filme de D.J Caruso.
A história de Controle Absoluto é absurda, seus personagens não têm personalidade, clichês são utilizados sem distinção e as próprias cenas de ação carecem de uma direção mais eficiente para transmitir emoção.
Apesar de suas falhas de roteiro, o filme possui algumas cenas de ação interessantes e o carisma de Shia consegue arrancar algumas risadas da platéia, o talento do rapaz em interpretar sempre o mesmo papel é absolutamente inegável, e neste caso em dose dupla já que interpreta gêmeos.
Se a pauta da crise econômica é mais assustadora que um atentado terrorista nada melhor que explorar um pouco mais o eterno temor ou quem sabe o desejo inconsciente de visualizar a destruição dos símbolos de poder e patriotismo norte-americano. Hollywood está sempre feliz em atender aos desejos e lucrar com isso.

Pontos Altos: Química da dupla central, cenas de ação fantásticas
Pontos Baixos: Roteiro ruim, cenas de perseguição automobilística confusas, exagero do exagero, história com gêmeos idênticos e personalidades absolutamente distintas? Exato! menos original impossível

Pecados e Tentações

Diretor: J. Gaspar
Elenco: Leila Lopes, Carlão Bazuca, Tamyres Chiavari, Victor Gaúcho e mais três atores que não entram em “ação”
Gênero: Erótico
Ano: 2008





Leila Lopez é uma atriz e ponto sem rótulos como atriz de cinema, teatro ou televisão. E se você não se lembra da última vez que ela apareceu em alguma novela ou algo do gênero não se culpe, a gaúcha está de volta com um filme que certamente estará na maioria das locadoras do país e de acordo com a própria atriz para a alegria dos solitários e casamentos em crise criativa.
Depois de Rita Cadillac e Alexandre Frota é Leila que se rende a indústria lucrativa do sexo explícito.
Mas Leila insistiu que seu filme possui roteiro, sendo inspirado no legado de Nelson Rodrigues, um filme de época (sic), com atores convencionais interpretando pai, mãe e empregada, sem nos esquecermos das luvas e chapéu na capa que já deixam claro que se trata de uma produção diferenciada.
O roteiro é profundo, Marlene vai atuar na Holanda e depois de alguns anos volta pra encontrar a família, ela jura que estava atuando e talvez por vir de um lugar que quando faz frio é de rachar a ex-professorinha chega procurando o calor brasileiro, mais precisamente do seu primo seminarista que está prestes a se tornar um padre.
Leila passeia pelas ruas do Rio de Janeiro dentro de um táxi com uma música incidental terrível e quando chega a casa depois de tantos anos fica claro que é um estúdio de televisão, ou se você conseguir abstrair talvez ela tenha saído de dentro de um armário escuro direto pra sala de estar.
A narração em off que serve pra explicar com detalhes a trama chega a ser engraçada de tão ridícula. E os enquadramentos esquizofrênicos mostram que os cinegrafistas dos filmes pornôs não estão preparados para planos abertos e muitos diálogos.
O jantar é um dos pontos altos com sua iluminação que por ser de época (anos 50 é de época?) utiliza tanto lâmpadas quanto velas, as taças feitas do autêntico cristal de requeijão também são um delírio visual. É uma pena que o jantar só tenha alface, espinafre, couve ou simplesmente capim afinal era verde e ninguém comeu de verdade.
São quinze minutos aproximados de roteiro para que as cenas de sexo de fato comecem, e aí acaba a caracterização e percebemos que é um filme muito contemporâneo, as tatuagens, as coreografias ensaiadas extremamente modernas e o silicone exagerado da irmã não deixam dúvida.
Leila claramente sofre com a intensidade e potência de alguns movimentos de seu parceiro Carlão Bazuca (atenção pro armamento de alto calibre), algo que deve superar em futuras imersões no universo do sexo filmado.
Sua irmã na película por outro lado demonstra uma naturalidade e um profissionalismo exacerbados, numa cena em que está fazendo sexo, a pequena campeã mostra que não está disposta a sofrer com a incômoda falta de lubrificação, pois é profissional no cuspe à distância. Palmas pra ela (caso as mãos não estejam ocupadas, é claro).

Pontos Altos: Leila leva bofetada e gostcha, Bentinho o seminarista de fé, ceia familiar incrível
Pontos Baixos: O beijo nojento de Bentinho e Marlene, a falta de lubrificação da pobre irmã, direção terrível

Agente 86 (Get Smart)

Diretor: Peter Segal
Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway, The Rock, Alan Arkin, Terence Stamp, Masi Oka e Terry Crews
Gênero: Comédia/Ação
Ano: 2008







Agente 86 é um filme que se apropria do legado da série de mesmo título que foi um sucesso estrondoso da década de 60 ao parodiar filmes de espionagem, ou mais especificamente os filmes de James Bond. O que apenas revela que roteiros originais estão cada vez mais escassos entre os grandes lançamentos.
Se o cinema-paródia é atualmente um novo e terrível gênero em crescente expansão na indústria cinematográfica estadunidense, Agente 86 goza de um roteiro próprio e inova ao colocar o humor em cenas de ação sem copiá-las de forma infame como nos títulos do tal gênero. É louvável, no entanto, que apesar de se tratar de uma comédia estas cenas são perfeitamente executadas e dirigidas com extremo cuidado.
Steve Carell interpreta o Agente 86 de forma cômica sem ser apelativa, aliás, esse é o tom de Agente 86, um humor leve às vezes mais pastelão, mas que não cai na escatologia, uma qualidade raríssima na nova safra de filmes de comédia.
Todo o elenco parece extremamente à vontade na trama, e atores como Anne Hathaway e The Rock se revelam surpresas interessantes em seus bem humorados papéis.
Um filme que talvez não sirva para acabar com a nostalgia da série original já que há uma modernização necessária, mas que se apresenta como uma boa opção para quem gosta de uma comédia bem feita e agradável.

Pontos Altos: Steve Carrel, o grampeador
Pontos Baixos: Monstrengo in love