quinta-feira, 9 de abril de 2009

Romance e Cigarros (Romance & Cigarettes)

Diretor: John Turturro

Elenco: James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet, Steve Buscemi, Christopher Walken, Mandy Moore, Aida Turturro, Mary-Louise Parker

Gênero: Musical/Comédia

Ano: 2005







Audacioso e enérgico o musical fora dos padrões Romance e Cigarros demorou muito tempo para chegar às locadoras e ainda sim limitado por uma parca distribuição, a participação de grandes atores não foi suficiente para torná-lo comercialmente atrativo, porém sua descoberta é mais do que surpreendente.

Logo em seu início Nick é desmascarado por sua esposa que encontra um poema escrito por ele cujo tema é a vagina de sua amante, revoltada ela expulsa o marido de casa que corre para os braços da aparentemente vulgar Tula.

Aos poucos a crise de meia idade de Nick se ameniza e ele passa a enxergar com outros olhos a importância de seus desejos sexuais e sua família.

A trajetória de redenção é costurada com comédia, tragédia e números musicais formados por um balé moderno e músicas pop que os atores cantam junto com os intérpretes originais. Se você souber a letra também deve entrar no clima.

Romances e Cigarros não se furta a descrever com todas as letras o sexo como não estamos acostumados a ver retratado no cinema, a suposta vulgaridade é mais uma ousadia que uma gratuidade é juntamente com a trilha poderosa traz um sopro de ousadia, cratividade que não encontramos em filmes para jovens.

A maturidade pode ser extremamente divertida.


Pontos Altos: Irreverência mais do que bem vinda, a mãe de Nick e suas duras e sábias palavras

Pontos Baixos: Um excesso de excentricidade familiar... Mas não dói

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Gran Torino

Diretor: Clint Eastwood

Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Hughes, John Carroll Lynch, Cory Hardrict, Dreama Walker, Brian Haley

Gênero: Drama

Ano: 2008








Surpreender-se-á quem espera por outro drama avassalador, Gran Torino ao contrário das expectativas que acompanham a marca de Clint Eastwood na direção é um filme quase leve e muito simpático.

Clint interpreta Walter Kowalski um velho rabugento, racista, mal humorado e muitas vezes asqueroso que acaba de se tornar viúvo.

Seu personagem não faz questão de ser aceito ou querido e se incomoda imensamente com os filhos que além de não terem afinidade nenhuma com o velho pai, permanecem aguardando com ansiedade o seu falecimento para a realização da partilha.

Não só os filhos o preocupam, mas a recente invasão de imigrantes (latinos e) asiáticos para seu bairro lhe parece mais um flahsback de um cenário de guerra na Coréia que uma nova realidade a ser aceita.

O tempo passou e o conservadorismo caduco de Walter o faz tão engraçado como ultrajante, suas rosnadas e comentários sem censura são deliciosos e politicamente incorretos.

O senhor que se vangloria de seu passado de guerra, vê seu nacionalismo insultado pelos carros orientais que um dos filhos vende e não tem a que se apegar e se esforça ao máximo para ser independente.

Gran Torino é um filme tradicional que conquista aos poucos ao estabelecer uma empatia entre espectador e seus personagens sofridos e mais tarde a aguardada redenção de Walter.

Com quase 80 anos o ator/diretor traz dignidade ao papel que poucos conseguiriam proporcionar e prova que maturidade é uma qualidade que não deve ser relegada para casas de repouso.


Pontos Altos: Clint Eastwood de volta e dando bordoada, conhecer a cultura Hmong

Pontos Baixos: Atmosfera de desenho animado em algumas cenas

Doidão (The Wackness)

Diretor: Jonathan Levine

Elenco: Ben Kingsley, Famke Janssen, Josh Peck, Olivia Thirlby, Mary-Kate Olsen, Roy Milton Davis

Gênero: Drama/Comédia

Ano: 2008








Fazer a coisa errada é a coisa certa em alguns períodos da vida. Luke Shapiro é um jovem prestes a entrar na faculdade que se sustenta através do tráfico de drogas, apesar de sua profissão gozar de certa popularidade entre os jovens ele não é dos mais queridos de sua turma e de acordo com suas próprias palavras é “o mais popular dentre os impopulares”, introvertido e melancólico busca na psiquiatria a ajuda para seus problemas, pagando suas consultas obviamente com suas mercadorias.

Doidão (tradução mais infame que já se teve notícia) se passa em 1994 e conta com uma ótima trilha da época.

Nunca antes a década de 90 pareceu ser tão dopada e perdida. Luke e seu psiquiatra Dr. Squires tem uma grande diferença de idade, mas a imaturidade do médico os aproxima de forma intensa e os conselhos profissionais são os mais inesperados “o que você precisa é transar”.

Dr. Squires não contava com o envolvimento do jovem com sua enteada Stephanie, o que culmina em certo conflito entre os amigos ao mesmo tempo em que temporariamente adoça a vida do melancólico Luke.

Decepções amorosas, conflitos de gerações e dificuldades de relacionamento. Parece que na adolescência nada dá certo.

Esse clima de decepções e infortúnios descreve com veracidade como é doloroso o processo de amadurecimento do jovem. Nem quem apela às drogas consegue escapar dessa importante e difícil etapa da vida, o sofrimento faz crescer, não?

Doidão é um filme que não inova, porém a construção do personagem de Sir Ben Kingsley e sua interação com o jovem Josh Peck é muito cativante, a dupla de desregulados forma uma amizade baseada na incompreensão que sentem na sua relação com o mundo e nas dificuldades próximas que vivem apesar das idades tão distintas.


Pontos Altos: Trilha sonora, Sir Ben Kingsley

Pontos Baixos: Luke é muito ‘cool’ em relação a tudo

Operação Valquíria (Valkyrie)

Diretor: Bryan Singer

Elenco: Tom Cruise, Carice van Houten, Bill Nighy, Terence Stamp, Kenneth Branagh, Thomas Kretschmann, Tom Wilkinson, Eddie Izzard, Stephen Fry

Gênero: Drama/Suspense

Ano: 2008







Suspense histórico não tem elemento surpresa. A afirmação por mais óbvia que seja é necessária para que se enxergue Operação Valquíria como um thriller não convencional.

Diversas foram as tentativas de eliminar um dos maiores tiranos conhecidos de nossa história. Operação Valquíria trata da última delas, o nome que não foi criado pelos envolvidos já existia, se tratava de um plano de contingência contra tentativas de ataque bem sucedidas à liderança nazista.

Na reedição do plano, militares descontentes com o governo de Hitler se organizam para eliminar através de um golpe a liderança nazista e tentar estabelecer uma nova ordem antes da derrota diante a ameaça iminente dos Aliados.

Divididos entre a desaprovação dos caminhos escolhidos pelo Führer e o desejo de negociar uma trégua antes de uma derrota estes homens desenvolvem uma conspiração extremamente detalhista com o assassinato de Hitler e a tomada do poder.

A interpretação glacial de Tom Cruise se mostra adequada pelo contexto, a extensão do comportamento no ambiente familiar, no entanto, é artificial e prejudica a identificação com o espectador e o “herói” alemão.

Bryan Singer não é afeito do sentimentalismo de Spielberg e sua reconstituição do período só não é mais perfeita devido à utilização do inglês como a língua do filme (americanos sabidamente não reconhecem legendas), felizmente tanto o elenco como a direção de arte são absolutamente bem escolhidos e executados e a obra pode ser definida como correta, o thriller funciona bem e o suspense sobre o destino dos personagens é bem encaminhado.

Dá pra viver sem, mas não é de todo ruim.


Pontos Altos: Tom Wilkinson, Kenneth Branagh, direção de arte

Pontos Baixos: Núcleo familiar gélido e desperdício do talento de Carice van Houten

quinta-feira, 26 de março de 2009

Watchmen

Diretor: Zack Snyder

Elenco: Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino

Gênero: Ação

Ano: 2009








As qualidades inegáveis de Watchmen são facilmente ofuscadas por cenas desnecessárias, piadas infames e sequências totalmente dispensáveis e absurdas.

A adaptação da Graphic Novel de Dave Gibbons e Alan Moore definida como infilmável por diversas pessoas é de fato um desafio, Zack Snyder não se intimidou e depois da empreitada de sucesso de 300 resolveu encarar o projeto.

A abertura sensacional que vale muito mais que o próprio filme promete o que ele não consegue cumprir. Ao condensar em 160 minutos uma história que necessitaria de 500 minutos para ser bem contada não é possível fazer justiça a obra original.

Watchmen não é uma história convencional de heróis lutando contra super vilões, há na realidade apenas um personagem dotado de poderes extra-humanos e os outros deveriam ser agentes da lei que aposentaram suas fantasias, o filme, porém não respeita essa característica e todos possuem alguma qualidade humana ampliada. Além disso, toda uma discussão sobre humanidade e suas características que recebe um excelente tratamento na história original, na adaptação mais parece roteiro de desenho animado que um filme.

A Graphic Novel considerada por muitos como a melhor história em quadrinhos já feita é repleta de histórias paralelas que se completam de uma forma impossível de ser transportada ao cinema em um único filme, a opção de focar o roteiro cinematográfico nos heróis é prejudicial apesar de inevitável e o elemento humano presente nas histórias tão importante para trazer identificação ao leitor e sua imersão naquele universo está ausente no filme.

Os heróis vivem no nosso passado e alteram a história como a conhecemos, tal abordagem traria um grande número de situações interessantes, no entanto o visual que beira ao ridículo e situações inverossímeis torna muito difícil levar a sério a trama e se deixar levar por este universo.

Apesar de seus defeitos Watchmen conta com alguns personagens extremamente tridimensionais que adquirem vida própria na tela e proporcionam ótimas cenas e frases de efeitos ótimas. Talvez um spinoff de algum deles renda um filme melhor formatado?

Não é mais uma obra-prima.


Pontos Altos: O Comediante, Rorschach, abertura sensacional, cena do banheiro na prisão

Pontos Baixos: Júpiter mala, Coruja mala, piadas infames, trilha sonora óbvia, festival de clichês cinematográficos

Uma Noite de Amor e Música (Nick and Norah's Infinite Playlist)

Diretor: Peter Sollett

Elenco: Michael Cera, Kat Dennings, Aaron Yoo, Rafi Gavron, Ari Graynor, Alexis Dziena, Jonathan B. Wright

Gênero: Comédia Romântica

Ano: 2008








O maior trunfo de Uma Noite de Amor e Música é nos lembrar como é bom se apaixonar por alguém e como o mundo parece mudar quando isso acontece, especialmente quando somos correspondidos e nada mais parece importar.

Além do romance com seus deliciosos encontros e desencontros Uma Noite de Amor e Música tem personagens cativantes e engraçados que torna a noite que nós acompanhamos uma experiência nostálgica e encantadora, isso pela excelente trilha ou pelo próprio amor adolescente.

Michael Cera é “o cara” dos filmes para jovens, seu personagem é sempre um pouco palerma e um tanto inteligente, há uma repetição sim, mas ela é necessária e se encaixa perfeitamente nos filmes para os quais ele é escalado, pode não ser o melhor para sua carreira, para nós não importa ou você se identifica ou se apaixona pelo seu jeito atrapalhado.

Kat Dennings é mais descolada mesmo e sua beleza tem amadurecido ao longo de sua carreira.

Os coadjuvantes não poderiam ser melhores, Norah e sua amiga bêbada, desgovernada e muito engraçada e Nick e seus amigos músicos e gays mais bem resolvidos, divertidos e doces de todo cinema jovem norte-americano.

A dupla principal forma um casal conectado, cúmplice que nos seduz imprimindo um sorriso na face do espectador por grande parte do filme.

Uma Noite de Amor e Música nos lembra os antigos filmes de adolescentes e até os copia em alguns aspectos, a adição de um toque moderno torna o resultado muito bom e merece uma conferida.


Pontos Altos: Apaixonem-se novamente pós 90 minutos, trilha excelente, humor ótimo sem drogas envolvidas, a dupla não se dopa e você nem sente falta

Pontos Baixos: Precisamos de outro jovem ator antes que Cera fique muito exposto

O Dia em Que a Terra Parou (The Day Earth Stood Still)

Diretor: Scott Derrickson

Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates, John Cleese, Jaden Smith, Jon Hamm, Aaron Douglas, Alisen Down

Gênero: Ação/Drama

Ano: 2008








Pra reforçar o preconceito geral sobre os remakes Scott Derrickson refaz com algumas adaptações o clássico de 1951 utilizando uma roupagem insossa que apela para os efeitos especiais e esquece todos os outros detalhes interessantes.

Os humanos são uma ameaça ao ecossistema terrestre e o extraterrestre Klaatu aterrisa em nosso planeta em busca de diálogo com nossos líderes. Os militares e governantes estadunidenses como todos sabem não são muito adeptos de tal prática e abrem fogo contra o visitante.

Obviamente a vida de nossa raça está em risco e nossos colegas do continente do norte (sempre eles) são os primeiros a tomarem decisões (erradas). A jovem cientista Helen ao contrário de seus conterrâneos tem uma visão menos obscura do que está acontecendo e tenta conversar e convencer o alienígena a poupar nossa raça.

O Dia Em Que a Terra Parou carece de substância, apesar de ter vários elementos que se bem explorados tornariam o filme um entretenimento no mínimo razoável a direção de Scott Derrickson não convence, não há salvação nem nas atuações dos atores muito menos no roteiro.

Previsibilidade total com efeitos especiais grandiosos.

Só vale pra testar a potência de suas caixas de som.


Pontos Altos: Efeitos visuais e sonoros

Pontos Baixos: Todo o resto, Keanu Reeves sempre com a mesma cara de dor de barriga